Desafio das imagens ― Não foi sua culpa;


Nas primeiras semanas de aula, foi passado na disciplina de Linguagens e Mídias (Alô titio Varoni) uma espécie de "Desafio das Imagens ao vivo", onde o professor nos mostrou algumas imagens e nos pediu para descrevê-las com uma palavra, frase ou um pequeno texto. De início, eu nem  pensei em publicar aqui, mas Titio Varoni insistiu que eu colocasse, então tá aí! É curtinho, se comparado as demais imagens que eu descrevi. A fotografia apresentada é do fotógrafo Henri Cartier Bresson (1908-2004).



 A qualidade da imagem tá péssima
 porque a vida quis assim.

         O beco estava escuro, aparentemente era sem saída. Sentado a beira da calçada havia um homem. De meia-idade, os braços ao redor das pernas e o queixo apoiado nos joelhos. Os olhos vazios fitavam o chão, mas sua mente se encontrava ocupada buscando respostas. “Não foi sua culpa”, pensava ele ao lembrar-se do caos que estava o lugar que um dia chamara de lar, quando partira. “Não foi sua culpa”, repetia diversas vezes, como se daquela maneira pudesse fazer da frase uma verdade.
         Foi então que inesperadamente, um filhote de gato apareceu.
         Procurando por carinho, o animou parou a sua frente e o encarou. Os olhos grandes e dóceis eram fixos na figura humana e pareciam lhes dizer alguma coisa. Um sorriso pequeno surgiu nos lábios do homem.
         “Não foi sua culpa” ecoou novamente em seus pensamentos. 

Morrer é absurdo.



         Morrer é extremamente absurdo. Quer dizer, você acredita ser uma realidade distante da qual você vive. Você acorda cedo, estuda, trabalha. Faz planos, organiza sua vida inteira mentalmente e pensa “e então estarei velhinho e posso finalmente descansar em paz”. É a ordem cronológica natural de vida que se é passado desde que se entende por gente. Nascer, crescer, se reproduzir, morrer.
Mas aí, surge uma pista molhada no meio da madrugada. Um pneu que se solta, um motorista bêbado que não se deu ao trabalho de chamar um táxi; Um incêndio; Um câncer, uma doença que se expandiu embaixo do seu nariz e você não percebeu. Um avião que cai, um tiro perdido que atingiu seu corpo sem razão alguma. E então, puff, acabou. Mas e aí? Como fica aquele cursinho de inglês que você ficou de se matricular na semana que vem? E o cinema com as amigas no próximo sábado? Você não tinha um relatório da faculdade pra fazer? E aí?
É ridículo, sua vida foi interrompida por um nada. “Morreu de graça”, é o que muitos dizem. É injusto, quer dizer, você é obrigado a viver na incerteza? Não fará planos, então? E tudo aquilo que você estudou pra passar no vestibular? E os seus amigos? Eles são obrigados a viver sem você? Suas coisas, o que farão com elas? Serão entregues a uma pessoa a qual você nem conhecia? Serão mantidas? Mas pra quê, quer dizer, você não volta. Não há volta.
 É completamente injusto. E pior ainda, não há nada que se possa fazer. “A única certeza que se tem ao nascer, é de que irá morrer” é o que diz sua avó. E, caramba, é a mais pura verdade. Parece absurdo, mas é o único caminho que se tem a partir do momento que se deixa o útero de sua mãe e abre os olhos pro mundo real. “Morrer”, você sabe que vai, assim como eu também sei que irei.
Mas não é por ter essa certeza, que você irá viver baseado nela. Viva; Não se prive por saber que um dia isso tudo irá acabar. Matricule-se no cursinho de inglês; Peça aquela pizza a qual faz tempo que você comeu; Marque o cinema com as suas amigas e, acima de tudo, planeje. É a única forma que você tem de ridicularizar a morte como ela deve ser. Não é porque em algum momento ela irá te impedir que você é obrigado a teme-la.
A vida é sua, então viva. Viva pra que quando a morte lhes fizer uma visita, poucos segundos antes de pegá-la pela mão e partir, você possa pensar “Caramba, eu fiz tudo que eu quis e faria tudo de novo.” 

O Just Running Away presta suas condolências aos fãs do grupo coreano Ladies' Code
que perdeu na madrugada dessa terça-feira a integrante Go Eunbi em um acidente de carro.
 Duas das demais quatro integrantes permanecem internadas.