#VLOG ― TAG CINCO SENTIDOS;


ADIVINHA QUEM VOLTOU? UHU 
Demorei, demorei mesmo, porque tava com preguiça, eu não nego (e, por favor, não me batam!). Mas, depois de muito procrastinar e de muito ter dormido, voltei com mais um vídeo pro canal e hoje estou respondendo um tag. A tag se chama "5 sentidos" e tem como objetivo trazer um livro para cada sentido humano. Foi criada pela Mayara do canal 'Laranja sem açúcar'.

Para responder esta tag eu escolhi dois canais e dois blogs, que são, respectivamente:


Okei! Agora chega de blábláblá e vamos ao que interessa:

Poesia de sábado — Enigma;

ENÍGMA

O que diz teu olhar?
Me olhas por querer?
O querer está no seu olhar?
Por que procuras me ver?
O que diz teu sorriso, me convida à festa?
Um convite especial?
Ou meramente me menospreza?


A dúvida é tamanha; a aspiração imensa,
Só a quimera de você
Supera anelo de saber, o que pensa.
Quero aproximar-me de ti; entender-te.
Sentir teu jeito, teu gosto; conhecer-te.
Vou ao teu encontro...
Seu charme me atrai,
A ansiedade é grande, a emoção é mais.

Tão perto que ficamos,
Quase dialogamos... quase.
Como uma dupla desfeita.
Sozinho cantando me deixaste,
Foste embora satisfeita...
Nem uma palavra ficaste;
Não me deste um sorriso,
Nos meus olhos não olhaste.

Eu cantava o amor, ou simples amizade,
Sentia o dissabor da infelicidade.
Ficou a incerteza, o mistério, o por quê,
No coração o desejo; a ilusão de você.


Escrito por: Rogério Santos.
31.11.1991

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Rogério Santos, entre 40 e 50 anos, mas num sou velho não, viu?! Representante comercial, radialista, escritor quando dá certo e pai da dona desse blog! Já fui poeta um tempo, mas o tempo agora é outro que me falta. Ah, tempo danado! 

[Colaboração] O maior presente;


Fomos criados perfeitos a imagem e semelhança do Criador, porém o pecado manchou o homem, e como consequência veio sofrimento, dor e morte. Estávamos Condenados a ter uma existência eterna de tormento, longe de Deus.
Para mudar esta história, o Criador tinha um plano, mas precisava de um ser perfeito que assumisse o lugar do homem pecador. Alguém tinha que morrer porque na lei Divina, sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados. Entre as criaturas, ninguém seria capaz, pois todos foram contaminados pelo pecado do primeiro homem.

Na terra não havia ninguém. Nos céus, talvez um Anjo, um Arcanjo, um Querubin...

O Criador olhou para seu Filho Unigênito e disse: É você Filho, só você… só você é capaz, você vai deixar o trono por um tempo, vai descer à terra com a missão de salvar o homem que criamos, mas há um preço muito alto, meu Filho!

Eu sei pai, preciso me esvaziar de todo meu poder, não poderei usar a minha força Divinal, nem usar os Anjos ao meu favor. Não serei adorado, não terei honra, irei nascer de mulher e ser motivo de escândalo, membro de família pobre, de uma cidade pequena, serei perseguido, fugitivo, incompreendido, insultado, escarnecido, caluniado, levado aos tribunais como mal feitor, preso mesmo sem achar em mim culpa alguma, condenado a morte como um bandido de alta periculosidade. 

Passar pela morte.

Diante de uma grande multidão, sentirei minha respiração diminuir aos poucos, meu sangue gotejando, manchando a terra e purificando corações,  antes do último suspiro eu pedirei que perdoe cada criatura...

Pai...

Se possível afasta de mim este Cálice, contudo que seja feita a tua vontade.

É realmente um preço muito alto, Pai, mas por obediência a ti e por amor ao homem que criamos, eu vou. Para salvá-lo da condenação eterna, do poder das trevas, para purificá-lo  e telo para sempre conosco,

Eis-me aqui!

Este é o meu Filho amado, em quem tenho todo prazer. Eu estarei contigo Filho, todo instante, você é mais que vencedor. Quando terminar sua missão te darei a mesma glória que sempre teve, um Nome que é sobre todo nome.

Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.




Escrito por: Rogério Santos.
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Rogério Santos, entre 40 e 50 anos, mas num sou velho não, viu?! Representante comercial, radialista, escritor quando dá certo e pai da dona desse blog! Já fui poeta um tempo, mas o tempo agora é outro que me falta. Ah, tempo danado! 

Sentimentos são engraçados;

          Até mesmo quando bons, acabam se tornando em sensações ruins.
         Ao mesmo tempo que o sorriso bobo adorna os lábios com o simples pensamento no outro, o mesmo se desfaz ao perceber que não passa disso... de simples pensamentos.
         Ao mesmo tempo que o coração arde com uma simples frase dita, o mesmo falha uma batida diante da incerteza acerca dos sentimentos do outro.
         Ao mesmo tempo que o desejo da simples presença do outro arranca suspiros dos lábios, o fato de nunca tê-la tido faz pesar os olhos.

Talvez a culpa não seja (só) dos sentimentos.
        
         Talvez o fato de maltratar a si mesmo pensando no outro, imaginando situações, criando diálogos, seja unicamente o indivíduo que, mesmo sabendo da incerteza que o cerca, se põe a mercê do sofrimento.

         E então pensa
         no sorriso,
         na voz,
         nas conversas,
         nas manias;

E então sorri bobo,
Para logo em seguida lamentar,
A maldita ideia masoquista.


         No fim das contas, o engraçado mesmo é o ser humano, sentimentos não têm nada a ver com a história.

Indicação #4 — 'O duque e eu' Julia Quinn;

Título: O duque e eu
Autora: Julia Quinn
Tradução: Cássia Zanon
Páginas: 282 páginas
Editora: Arqueiro
Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta. Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.
Apesar de escrever muito mais romance, eu nunca havia parado para ler um livro desse gênero. Aventura, infanto-juvenil, livro-reportagem, drama... mas nunca um romance. Com a popularização dos romances históricos, me vi atraída pelos tão famosos irmãos Bridgertons, personagens de Julia Quinn. Foi na Bienal do Livro que comprei “O Conde Enfeitiçado”, apesar de ser o sexto livro de uma série de oito. O vendedor disse que cada livro contava a história de um irmão diferente e eram interligados em meros detalhes (aquela velha lábia de vendedor) e então eu arrisquei, levando o livro.

Foi então que eu me vi apaixonada. 

Decidi então que compraria a série “Os Bridgertons” na ordem correta e apreciaria do gênero que tanto gosto, mas nunca havia me dedicado para ler.

E Julia Quinn me fez apaixonada pelos seus livros mais uma vez.


Oito filhos, com nomes em ordem alfabética, aparência extremamente idêntica. Cada livro da série traz a história de um dos herdeiros de Edmund e Violet Bridgerton, britânicos da maravilhosa Inglaterra de 1800s. A ordem de idade não sugere a ordem dos livros, ‘O duque e eu’ conta a história de Daphne, a quarta filha na ordem cronológica e a primeira das quatro mulheres. 

A narração é maravilhosa. O uso do narrador-onipresente nos faz mais próximos dos personagens, conhecendo passados, pensamentos, anseios e desejos. A maneira como a autora dedica um ou mais parágrafos seguidos para cada personagem, nos deixa mais por dentro da situação e do que acontece em seu ser.



Os personagens são extremamente cativantes e engraçados. Não tem como NÃO se apaixonar por cada um dos Bridgertons e suas características peculiares. É lendo cada diálogo e imaginando como cada um será em seu livro individual. Se você acha ciúmes entre irmãos a coisa mais amada do mundo, vai amar o enredo de ‘O duque e eu’. Daphne é a quarta filha, sendo antecedida por três irmãOs, o que só dificulta a sua vida quando o assunto é casamento. Principalmente se o candidato a marido for Simon Basset, um dos melhores amigos de Anthony Bridgerton, o primogênito. 

Os nossos pombinhos não se apaixonam perdidamente a primeira vista, se é o que estava pensando. Apesar de uma grande atração entre eles, Simon decide que não será sem caráter a ponto de seduzir a irmã do amigo e resolve ignorar o desejo que sente por ela. Já Daphne, que estava há quase duas temporadas como debutante, não se sentia muito animada em se casar com o duque, visto a fama de libertino que este carregava. Diante da maneira um tanto cômica em que se conhecem, acabam tornando-se amigos e é a partir dessa amizade que Simon sugere uma parceria: Simon, que não quer de jeito nenhum se casar, fingirá corte à Daphne para afastar as mães das solteiras de sua cola. Enquanto Daphne, sendo cortejada por um duque, passará a ser vista como candidata a esposa para aqueles que antes só a viam como uma grande amiga. Neste ângulo, ambos sairiam ganhando.

Eles só não contavam com aquela velha atração, aquela que surgiu no dia que se conheceram, voltando para assombrá-los e lembrá-los que todo aquele corte trata-se de apenas fingimento.

Por enquanto.

O livro é fantástico. Extremamente divertido, dramático na medida certa, romântico e adulto, não necessariamente sendo de baixo calão. A temática “adulta” abordada tem seu tempo, é na medida certa, bem narrado e descrito, estrategicamente cativante.

E, por último, um breve aviso: os três mais velhos dos Bridgertons são extremamente apaixonáveis.
Tenha cuidado.

Poesia de sábado — Amar-te;

AMAR-TE, AMAR-TE E AMAR-TE;


Amar-te a todo instante,
Amar-te em todo momento;
Amar-te nas lembranças,
Amar-te no pensamento.

Amar-te com tenro carinho,
Amar-te tão docemente...
Amar-te no ontem, no hoje,
Amar-te eternamente.

Amar-te com a força de minha mente,
Amar-te com inerência do querer;
Amar-te sobre a distância,
Amar-te sem te ver.

Amar-te na chuva que cai,
Amar-te no sol que me aquece;
Amar-te na água que me banho, no vento que me assanha,
Amar-te com um coração que não te esquece.

Amar-te no dia... na agonia,
Amar-te na noite fria,
Sufocada pelo silêncio....
Tão vazia.
A respirar sobre o frêmito vibrante
do nosso amor.

E eu vou...
Amar-te nos sonhos
e sonhar de amar-te.

Amar-te na fantasia,
Amar-te na saudade,
Amar-te na quimera de você...
E viver na ansiedade,
de amar-te e amar-te.




Escrito por: Rogério Santos.
10.03.1992

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Rogério Santos, entre 40 e 50 anos, mas num sou velho não, viu?! Representante comercial, radialista, escritor quando dá certo e pai da dona desse blog! Já fui poeta um tempo, mas o tempo agora é outro que me falta. Ah, tempo danado! 

[COLABORAÇÃO] Casaco velho;

    

        Estávamos sentados de qualquer jeito no seu sofá de molas. A sua perna estava em cima de mim então aproveitei aquele momento para perceber que os seus pelos era meio lisos, meio encaracolados. Eu gostava da sua falta de padrão. Então quando você acabou de engolir a última pipoca do balde que te comprei na nossa última saída juntos você me fitou com esses olhos que causam medo e pronunciou. Eu não ouvi, ou me recusei a ouvir, não posso chegar a uma conclusão, apenas me lembro de vê-lo fazer aquilo com o canto da boca e se levantar, segurar as minhas mãos e beijá-las.
         Peguei o meu casaco que havia jogado horas antes no chão do quarto e saí. Não havia mais nada para mim ali. Enquanto descia as escadas o ouvi chutar a mesinha de centro e depois cair no chão. Tomara que não tenha se machucado - não gosto quando sofre. Ao chegar no portão, minutos depois, percebi que havia caído um pingo de chuva no meu rosto. Era tudo que eu precisava, uma cena dramática estava sendo formada e eu era o protagonista, como sempre fui em todas os momentos ruins que passamos juntos. Mas não mais.
         Percebi aquela árvore a metros de distância da sua casa, ela não deixava os pingos chegarem ao chão, então sentei junto as suas raízes. Os meus joelhos estavam colados ao meu rosto e os meus braços estavam formando um nó em volta das minhas pernas - apertei com tanta força que o resultado foi uma falta de ar momentânea. Os meus pulmões precisaram de um comando consciente para transportar oxigênio para o meu organismo, organismo o qual estava desistindo.
         Aconteceu tudo ao mesmo tempo, as lágrimas que se misturavam as gotas que conseguiram atravessar as folhas da árvore, o barulho de milhares de palmas, os meus soluços, o nosso último momento juntos - deitados na cama de lençóis azuis, pois eram os seus preferidos. Pude sentir os seus lábios sendo agressivos e se encaixando nos meus como peças de quebra-cabeça...
         Eu já estava completamente encharcado quando me pus de pé e comecei a andar em direção a lugar nenhum. Desejei que esse tal lugar fosse o mais perto possível porque talvez eu não aguentaria dar nem mais um passo sabendo que tinha deixado para trás. Sem lutar. Não  me daria ao trabalho.
         Orientei cada passada direita, esquerda, direita, esquerda... até chegar na esquina onde te vi pela primeira vez. Aquele lugar me fez parar por um instante. Eu lembro exatamente o que você estava fazendo, o que vestia, como estava o seu sorriso e nada daquilo mais fez sentido por um minuto inteiro. Esse minuto inteiro foi mais do que suficiente para que eu revivesse tudo novamente, cada gargalhada, cada olhar misterioso, cada sinal que você dera dias antes.
         E embora a sensação de derrota esteja me cobrindo como um velho e confortável casaco de frio, chegaria o tempo em que eu o tiraria de mim para a chegada de um ar mais quente e permanente. 

Escrito por: Ramilton Barbosa.

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Ramilton Barbosa ainda tem vinte e poucos anos, mas sente que é velho demais. Gosta de ler, escreve alguns YAs particulares, assiste mais séries do que deveria. Além de insistir em piadas que só faz sentido pra ele. 

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Retrospectiva 2015 — responda o questionário;



Dezembro chegou (e já faz certo tempo, até) e traz consigo lembranças, boas ou não, do ano que se finda. Decorações natalinas, férias, viagens, planos para o ano que já já começa e, é claro, a escolha dos melhores do ano seja na TV, no cinema, na música.... e aqui no blog também. Desde 2013 que o Just Running Away conta com a participação dos leitores, naquele feedback maravilhoso, a fim de saber o que o público achou do conteúdo deste ano e o que deseja para o 2016. Sempre fico maravilhada com as respostas de vocês e não poderia deixar de fazer mais um "Just running away choice". O link estará no fim de post e sintam-se a vontade para dizer o que quiserem, o que quiserem MESMO! :P

Já estou ansiosa das respostas de vocês, seus maravilhosos!

#VLOG ― Filmes dos anos 90 ft Yago Vieira;

Ok, eu confesso.
Eu demorei MUITO para fazer esse post aqui no blog, mas em minha defesa, eu não imaginei que seria levada pela enxurrada do fim de período e foi por pouco que eu não morri afogada nessa tempestade, viu? Pouquíssimo.
Crente que a parte II sairia na semana seguinte, eu deixei para reunir os dois vídeos numa postagem só e aí, o que acontece? Um plotwist chamado vida que não deixou as coisas acontecerem como desejado. Mas sem problemas, o importante é que estamos todos vivos, passados, de férias e morrendo de calor.

Sem mais delongas, confira os vídeos "Filmes dos anos 90" com participação especial de Yago, grande amigo meu e do blog, que há algum tempo foi, digamos que, zoadíssimo pela pessoa que vos fala. (Pra quem ainda não sabe, é só procurar o vídeo "Blog - pagando aposta", lá no canal HAHA) Tá super engraçado e os filmes indicados são ótimos. Apreciem:



Poesia de sábado — Paixão;

PAIXÃO;


Águas profundas, ondas indomáveis;
Vento impetuoso, fogo avassalador.
Desejo incontrolável, loucura; Obsessão.
Música de uma nota só: que dá “DÓ”.
Melodia que agita a alma, as vezes  acalma, acelera o coração.


Pensamento que vai e vem a todo instante.
Sentimento que dita as regras, escraviza.
Monopoliza, e nos faz refém.
Colírio medicinal que faz bem, faz mal,
Que cega e faz enxergar.


Como um trem, desgovernado vem.
Avançando, avançando, quem consegue parar?
Bate forte, explode o coração, é muita emoção
É amor é paixão, como explicar?
É meio irracional, mexe com o emocional.
Transforma o jeito de ser.


O bruto fica dócil, o mal educado gentil,
O mesquinho gastador.
O mal-humorado sorridente.
Fica fraco o valente, o sensato enlouquece
O velho ganha vigor.


O jovem fica encantado, alguns meio acanhados, outros alvoroçados, quando desperta o amor.
Quem foi ou é jovem que diga,
Por aquele garoto ou aquela menina,
Quem nunca se apaixonou?



Escrito por: Rogério Santos.
05.12.2015
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Rogério Santos, entre 40 e 50 anos, mas num sou velho não, viu?! Representante comercial, radialista, escritor quando dá certo e pai da dona desse blog! Já fui poeta um tempo, mas o tempo agora é outro que me falta. Ah, tempo danado! 

Inspirações súbitas ― Chocolate e café;



Sentada no canto do sofá, ela mais parecia uma estudante do primeiro semestre diante da quantidade de papéis ao seu redor. Cadernos, livros, anotações em post its e até mesmo em guardanapos compunham todo o acervo de sua pesquisa. E por mais que aquilo soasse como algo estressante, muito pelo contrário, tudo só se tornava ainda mais interessante e prazeroso para a moça que se via ainda mais deslumbrada com o tema escolhido.

Na mesinha de centro, uma caneca vazia com marcas marrons dentro demonstravam que anteriormente havia chocolate quente ali. Uma tigela, apenas com farelos de cor clara que informavam que o bolo já tinha sido consumido e com muito gosto. Já se passavam das onze da noite e ela parecia concentrada demais para notar que o tempo havia passado ou que alguém tinha acabado de chegar.

Silencioso como sempre, ele adentrou o apartamento e deixou as chaves no suporte ao lado da porta. Apesar de não morar ali, era praticamente o segundo dono do lugar. Os pés, desleixados, tiraram os sapatos e encostaram-nos a parede, metodicamente. A passos largos ele se dirigiu a cozinha, deixando a mochila sobre o balcão e já sabendo o que deveria fazer. A garota se desligava do mundo quando envolvida nos trabalhos e tinha plena certeza que a última refeição feita tinha sido antes de ele sair.

Duas canecas de bebidas foram feitas: uma de chocolate quente, outra de café. Nunca havia entendido como ela conseguia NÃO gostar de café. Mas respeitava, afinal, ninguém é perfeito. Ao que finalmente estavam prontas, o rapaz saiu em direção ao grande sofá que mais parecia uma biblioteca, diante da quantidade de exemplares ali presentes. A garota, que permanecia atenta ao que fazia, notara a presença do outro assim que o cheiro das bebidas pairou pelo local, mas fingiu-se de desentendida. Esperou para que ambas as canecas fossem colocadas sobre a mesa de centro e então sorriu, puxando alguns dos livros ali presentes e deixando um curto espaço vago no sofá.

- Você demorou. - Disse ela, olhando por cima dos óculos quadriculados e achando que intimidava daquele jeito. Ele apenas riu.

- Nem todo mundo tem a dádiva de estar no segundo TCC. - Suspirou ao relembrar os perrengues que ainda passava na graduação, sentando-se ao lado dela e passando o braço direito ao redor dos ombros alheios, apoiando o braço no estofado. Ela riu.

- "Dádiva" não seria bem a palavra que alguém usaria pra adjetivar um TCC, mas tudo bem. - O corpo se fez confortável com a presença do outro e então se curvou, pegando a caneca que trazia sua bebida e deixando que o maravilhoso sabor do chocolate adentrasse a garganta.

- Meu Deus, quem usa "adjetivar" no meio de uma conversa informal? - Ele riu alto, claramente tirando sarro da mania que a outra tinha de falar sempre corretamente. Ela apenas rolou os olhos e usou do cotovelo pra empurrá-lo. Ele riu novamente e apenas esperou que a caneca fosse novamente colocada na mesinha por ela, para usar dos dois braços e puxá-la para mais perto de si, num abraço apertado. Em meio aos risos, a moça se fez confortável nos braços do outro.

- Vai acabar isso aí logo ou eu vou ter que reivindicar a atenção de vossa pessoa? Porque sinceramente... - A frase era terminada com manha, chegou até a formar um bico nos finos lábios, ela arqueou uma sobrancelha, o que só fez o teatro do outro mais forte.

- Eu ia dizer que ia precisar fazer mais, porém o chocolate quente já pagou pela atenção. - O corpo se virou minimamente, demonstrando que sua atenção agora seria da bebida, mas o rapaz foi mais rápido e puxou-a para si novamente, fazendo-a rir.

- Deixa de ceninha, menina. - E aos risos, os lábios da outra foram capturados de forma delicada, em uma tentativa clara de demonstrar a saudade do curto tempo que passaram distantes.

A pesquisa seria deixada de lado por um tempo, mas não faria mal, afinal, o motivo era pra lá de plausível.

[COLABORAÇÃO] Lágrimas;


Ainda chove por aqui
O tempo passa devagar
E a chuva a crepitar
Faz barulho na minha janela
E ainda estou aqui
Sozinho no meu quarto
Pensando em você

É, eu penso em você
Penso em quando éramos “nós”
Mas esse tempo se foi
Sabe
Você era tão linda acordando
Bem aqui do meu lado
Seu lugar na cama já não é mais quente
Mas seu cheiro ainda permanece no ar

Cada canto desta casa me lembra você
Não acredito que foi embora
Será que você pensa em mim?
É, eu penso em você

Às vezes acho que com outra vou te esquecer
Mas nenhuma outra tem seu cheiro
Seu jeito sem igual
E ainda estou aqui

Fechos olhos, uma lágrima cai
Toma seu posto e desce devagar por meu rosto
Mas respiro fundo, é inevitável

Ainda com os olhos fechados
Me vem aquele teu olhar
Olhando pra mim
Seu rosto próximo ao meu
Posso sentir sua respiração
Nossa, é tão real

Volto a escuridão
Mais uma lagrima cai
Mas surge um sorriso

Sim, é inevitável
Você ainda vive em mim
Sei que sempre vou te encontrar aqui
Nem que seja por um segundo
Sozinho no meu quarto

E ainda chove por aqui
O tempo passa devagar
E a chuva a crepitar
Ainda faz barulho na minha janela
E eu ainda estou aqui
Sozinho
Pensando em você
Mas nada mudou.


Escrito por: Jhônatas Santos.

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Jhônatas é um jovem rapaz intenso, tanto em seu lado sensível, quanto em sua euforia. Um tanto tímido, mas também extrovertido. Apaixonado por música, esportes e tecnologia. Busca a vida no jornalismo, se aventura em instrumentos de corda e tenta viver nas histórias de enquanto respira.