#HappyRainaDay — Happy birthday, mom;

14:22



As luzes estavam apagadas.
O friozinho na barriga característico crescia e a mulher até riu, cogitando a ideia de que tudo aquilo poderia ser proposital. Com um sorriso travesso no rosto, ela fechou a porta com cuidado, sem barulho algum, passando a chave e deixando-a pendurada na fechadura. A bolsa foi colocada na cadeira mais próxima, os sapatos levemente altos retirados dos pés e ao tocarem o chão, ela aproveitou do leve choque térmico, fechando os olhos e apreciando o doce aroma de seu lar.
Sapeca, como uma criança ao acordar no meio da noite, ela correu até o interruptor e hesitou segundos antes de acender a luz.
Mas não havia ninguém lá. Nem mesmo um presente sobre o sofá, nada. Um pequeno bico se formou em seus lábios e suspirou, deixando os ombros caírem. Talvez fosse pedir demais que seu esposo se lembrasse da data, visto que os dias na empresa andavam cheios desde o meio do mês anterior. As mãos foram aos cabelos, juntando os fios e colocando-os lateralmente, para que enfim se dirigisse a cozinha. Se ele não havia chegado ainda, provavelmente a bagunça do almoço a esperava. Os passos eram lentos, preguiçosos, pensando em como pediria ao irmão mais novo que trouxesse as crianças para casa, não demorando a chegar no cômodo, encontrando-o totalmente limpo. A louça fora lavada e guardada, assim como as cadeiras estavam arrumadas e os brinquedos das crianças estavam em suas devidas caixas.
Agora sim, alguma coisa estava acontecendo.
O barulho de um balão estourando ecoou no andar de cima e o susto que ela tomou era digno de um vídeo para a internet. Após uma risada baixa, o sorriso sapeca adornou novamente seus lábios e então passou a subir as escadas, silenciosa como sempre, imaginando inúmeras coisas que poderiam estar acontecendo ali. "Então ele não esqueceu, afinal" pensava ela, sorrindo boba.
Os passos lentos, os olhos atentos, as mãos empurravam a porta do próprio quarto com delicadeza tentando bisbilhotar e não obteve sucesso. O lugar estava vazio, escuro e não havia sinal do esposo ou dos seus filhos. As mãos foram a cintura e ela parou no meio do corredor, analisando qual seria o próximo cômodo a ser investigado, até que viu uma luz fraca vindo do último quarto. Ali funcionava como escritório do marido e seu estúdio de trabalho. Um sorriso pequeno brincou no rosto delicado e ela encolheu os ombros, cúmplice, caminhando com pressa e silêncio até lá.

- Rápido, papai! A mamãe chega logo! – A loirinha batia o pé no chão com rapidez, bicuda. Usava um chapéu de aniversário de cor rosa na cabeça.
- Você nem sabe ver as horas ainda, sua bobona! Nem sabe quando a mamãe vai chegar. – O menino, que usava um chapéu igual ao da menina na cor azul, deu língua e a mulher que olhava tudo pela fresta da porta, precisou conter o riso.
- AF, SEU FEIO! – A menina cruzou os braços. – É porque já tá escuro, ué. Ela chega quando fica escuro. –  E virou o rosto, ignorando a falta de educação do outro, pois sabia que dar língua era feio, sua mãe tinha dito isso.
- Shiu, vocês dois! Lembrem que a gente vai fazer uma surpresa! – O marido ainda usava as roupas do trabalho, tinha apenas tirado os sapatos. Na cabeça, um chapéu de aniversário azul, provavelmente colocado pela menina. – A gente veio pra cá pra mãe de vocês não desconfiar de nada. Se vocês ficarem fazendo barulho, ela vai perceber. – O tom era ameno, com autoridade. As duas crianças se entreolharam e fizeram o sinal de zíper na boca, indicando que não fariam mais barulho. A mulher, que ainda olhava tudo pelo fino espaço da porta aberta, sorriu largo.
- Ótimo! – O marido sorriu, limpando as mãos na calça e girando rapidamente, analisando o lugar. Os documentos e papéis da mesa dele foram substituídos por doces, um bolo na cor branca com detalhes em lilás e confetes. O varal que ela usava para secar suas fotos, agora estava cheio de desenhos feitos pelos dois pequenos que os fizeram com todo amor e carinho que tinham pela mãe. No canto, próximo aos seus materiais de fotografia, haviam duas caixas embrulhadas e uma sacola pequena, com a marca de uma joalheria estampada no centro. Balões coloridos estavam espalhados pelo lugar seja amarrados nas cadeiras, nos cantos da mesa ou segurados pelas crianças.– Agora é só esperar sua mãe chegar.

Ela precisou morder o lábio inferior para conter a animação ao ver tudo aquilo, e então fechou a porta, tão delicada quanto a abriu, retrocedendo seu caminho e parando no topo da escada. Uma risada baixa escapou, um misto de animação e extrema felicidade tomou conta dela. E então, fingiu sua melhor cara de preocupada e alheia ao que tinha acabado de ver. "Sonsa como sempre", pensou.

- Amor, você está em casa? – Gritou, uma pitada de falsa preocupação adornando seu tom, enquanto caminhava novamente pelo corredor. No último quarto, a luz fora apagada e os três se juntaram para receber a aniversariante mais importante da vida deles. Ela demorou, propositalmente, como se estivesse checando os demais quartos. O sorriso divertido brincou em seus lábios.

- Querido, você está aqui? – Fora sua última fala antes de empurrar a porta e receber, agora oficialmente, a surpresa que haviam preparado.

Com um sorriso no rosto e o corpo abraçado pelos três, ela teve plena certeza, que não havia maneira melhor de comemorar todos os seus aniversários, se não fosse ao lado da sua família.

Texto em homenagem ao aniversário da cantora coreana, Oh Hyerin.
20150507;

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