Indicação #3 — 'A vida de Jornalista como ela é'

Título: A vida de Jornalista como ela é; O melhor do blog de Duda Rangel
Autores
: Anderson Couto e Emerson Couto
Páginas: 193 páginas
Editora: Distribuição própria/ Impressão e acabamento: Prol Gráfica
Ser jornalista é uma arte. Daquelas que a gente faz quando criança. Travessura. É curtir jogar Detetive muito mais que Banco Imobiliário. É escutar briga de vizinho com um copo na parede. Ser jornalista é ter fama de paquerador de tanto olhar os lados da rua. É desafiar o tempo. O tempo todo. É ser ranzinza muito antes de ficar velho. Ser jornalista é ser jornalista até nas horas vagas. Por meio de contos, crônicas, poesias e paródias, Duda Rangel fala da vida de jornalista como ela é, com seus encantos e desencantos. Uma vida que não se aprende na faculdade. Dos irmãos gêmeos e jornalistas Anderson e Emerson Couto, criadores do Duda, o livro é uma adaptação do blog "Desilusões Perdidas", sucesso nesses mundos virtuais por aí. Um manual de sobrevivência e bom humor.

The good soldier — Finalizando a série;

E aí, meus amores!
É isso mesmo que vocês acabaram de ler no título da postagem. Venho trazer, finalmente, depois de um ano que iniciei a postagem da série, o último conto dos nossos queridos Thomas e Joana durante a II Guerra Mundial.  Como já falei lá no começo do ano, quando postei quarto conto 'The Letters', a demora na atualização nada mais foi do que uma crise existencial básica e que eu simplesmente tive receio de escrever o que queria e acabar decepcionando vocês, diante da repercussão que essa série teve — além da aceitação maravilhosa.

Capa por Eloanne Cerqueira


O que foi escrever 'The good soldier'?

Acho que a palavra adequada pra a resposta seria "maravilhoso"! Por mais que eu amei história, quando tive a ideia de trazer algo histórico para o meu acervo de textos, não pensei que eu amaria tanto unir fatos e ficção, a sensação era de que todos os meus personagens tivessem realmente existido e eu apenas contado algo que li ou me contaram. As referências históricas, que deram um trabalho danado para serem encontradas e estarem conectadas, fizeram dos personagens ainda mais próximos da realidade. O que foi o caso também do espaço, creio que se passar no Brasil, "ali em cima" no Rio Grande Norte e tendo como base situações que de fato aconteceram, deixaram a série ainda mais gostosa de se ler. De verdade, amei escrever cada palavra desses cinco contos e sou muito grata a todos vocês por me proporcionarem um feedback lindo, opinando, ajudando, ansiando e me cobrando pelos próximos contos. Vocês são demais!
A sensação de ter terminado é extremamente maravilhosa, mas confesso que vou sentir  saudades de todos os personagens, cada um com suas peculiaridades. 

No mais, o meu muito obrigada a cada um de vocês que estiveram comigo nesse UM ANO de The good soldier aqui no blog. Sem mais delongas, trago para vocês o último (aaaaah) conto da série:

O dilema de ser um escritor;




         Abre e liga o notebook, clica no ícone do word, arruma segundo as regras da ABNT. Encara a tela. O documento em branco te encara curioso, ansiando para saber o que você irá passar para ele.
         Mas nada acontece.
         As mãos se unem, a testa fica franzida, os olhos semicerrados.
Mas nada acontece.
Você decide relaxar o corpo. Os ombros caem, um longo suspiro sai dos lábios. Estica o pescoço, alonga os braços, estala os dedos.
E continua não escrevendo nada.

Abre o reprodutor de músicas, escolhe a sua melhor playlist de inspiração e se deixa levar pela melodia de quase todas ali presentes. Relembra quais textos escreveu ao som de cada música, gargalha ao lembrar de uma situação incomum que envolve a canção. Algumas até te induzem a dançar, mas aí você se lembra qual foi a verdadeira razão que te levou a reproduzir aquelas músicas.
Volta ao word e documento continua em branco. Curioso, ansioso, intimidador.

Percebe que talvez não consegue escrever porque está com fome (mesmo que isso não faça o menor sentido). Vai até a cozinha e traz todos os tipos de besteiras que encontrou por lá. Enche a pança e volta a abrir o word.

Mas o documento continua em branco. Lisinho, sem nenhuma palavra sequer.

Você começa a se sentir fracassado. Há três dias estava com tantas ideias que poderia escrever uma trilogia, mas não teve tempo de passar para o papel e achou que daria para guarda-las na mente até que finalmente pudesse escrevê-las.
Grande estupidez da sua parte.

As ideias se foram. Levadas pelo vento, escaparam no momento que você parou apenas um instante para assistir seu seriado favorito.

Frustrado, você decide dormir. Talvez uma boa noite de sono ajudará a lembrar das ideias esquecidas ou lhe dará novas. Veste o pijama, arruma o travesseiro, acomoda-se na cama. Os olhos fixos no teto, um suspiro leve escapa dos lábios e sua mente passa a divagar por um universo que até você desconhece.

E então elas ressurgem.

Novas e quentinhas, ideias brotam na sua mente como flores em meio a primavera. Quando você percebe, uma história inteira já está formada em sua cabeça e a única coisa que falta é passar para um papel. Mas você está tão acomodado, o computador parece tão longe, nem mesmo há uma caderneta por perto... talvez consiga guarda-las na cabeça, você só vai dormir, quando acordar elas ainda estarão lá...

Grande estupidez da sua parte.

E começa tudo de novo...

#Cartas ― Feliz aniversário, sis;




Querida sis,

É uma pena que eu não possa te dizer tudo que eu quero pessoalmente,  mas você sabe como é essa vida de pessoas normais, o trabalho nunca nos dá sossego. Principalmente o meu. Mas eu não iria deixar de te dizer certas coisas, mesmo que seja desta forma tão linda, você sabe o quanto eu amo cartas. Enfim... eu lembro muito bem de quando você nasceu, apesar de ser muito pequena na época (e sem brincadeiras sobre a minha estatura atual), lembro da felicidade nos olhos do papai ao te ter no colo. E sabe, eu senti muito ciúme, não nego. Porque ali era o MEU lugar e uma bebê de olhos puxados e pele clara demais chegou, sem mais nem menos, pra roubar de mim. Mas bastou que você crescesse e demonstrasse ter a energia suficiente para cinco crianças, pra eu perceber que ter uma irmã mais nova era uma das melhores dádivas dos céus. Fico extremamente feliz de sermos tão próximas, mesmo com tantas coisas pequenas e briguinhas bestas que tendem a afastar pessoas da família. Afinal, família é sempre igual, só muda de endereço e de classe social. Mas mesmo assim, nós continuamos unidas e isso fora crucial para que todas as suas aventuras tenham sido ao meu lado. Porque sim, as ideias malucas eram e serão sempre suas e eu sempre fui e serei contra no início, mas no fim das contas vou acabar cedendo e teremos mais uma boa história pra contar. O que seria de mim sem suas loucuras, Liz? Difícil, hein?
Eu só queria que você soubesse que o aniversário é seu, mas o presente é meu. O presente me foi dado lá quando eu ainda tinha três anos, enrolado em uma manta branca com detalhes em rosa, nos braços do papai. Com olhos ainda mais finos e cabelos escuros. 

O aniversário é seu, mas o presente é você.

Feliz aniversário, sis. Pode parar de chorar agora e se arruma pro trabalho, não vai querer chegar tarde no seu ateliê lindo e recém reformado! Seu café da manhã está no microondas, pode me agradecer que hoje acordei cedo SÓ PRA ISSO. haha
Te amo, sis.

HW