O ócio é bom;


Quando crianças e adolescentes, o que mais almejamos é a tão sonhada vida adulta. Independência. Ser dono do próprio nariz.

Crescemos e, alguns de nós, recebemos o balde de água gelada ao nos depararmos com grandes responsabilidades, cargas horárias de trabalho exaustivas, afazeres domésticos, contas a pagar, um projeto ou outro por fora, um freela, tudo para conseguirmos nos manter estáveis economicamente falando.

Alguns de nós, porém, o que totalmente não é o meu caso, conseguem ter uma vida ainda mais agitada do que a citada acima. Mesmo com tantas obrigações, ainda é possível manter-se saudável, frequentando academias, tendo um bom lazer nos fins de semana, viagens, alguns, inclusive, suportam mais de um emprego para que assim mantenham suas vidas recheadas de agitação.

Esses alguns, entretanto, são muitos.
E suas vidas agitadas recaem sobre nós, não-tão-agitados assim e, em dado momento, nos fazem sentir culpados por não levarmos uma vida repleta de afazeres com todas as horas preenchidas. Nós, que optamos por uma vida com mais horas de sono nos intervalos, somos questionados, pois, decidimos dormir. Somos questionados por estar em casa num domingo a noite, quando todos os outros, os agitados, estão festejando.

Assim, nos sentimos culpados.
Culpados por optar pelo descanso, mental e físico.

O problema não está na vida que cada um leva, mas sim na liberdade de cada um segui-la.
O ócio é bom. Finalmente admitimos.
O ócio de estar em casa, tomar um banho prolongado e descansar, deleitando-se na ideia de que não há hora para acordar no sábado, é bom.

Nós, os não-agitados, precisamos parar de nos sentir culpados por não levar uma vida com mais horas marcadas e menos horas de sono. Precisamos entender que não somos fracassados por desejar dormir, por nos sentir cansados.

É preciso estar ciente que o objetivo de vida varia de cada pessoa. E, se ao deitar-se em sua cama e fechar os olhos, você se sente bem ao dar um longo suspiro e adormecer, não há problema nisso.


Mais uma vez, o ócio, na dose certa, é bom. E não há nada de errado em apreciá-lo. 

Opinião ― série 13 reasons why;

ATENÇÃO: Como já dito no título deste post, o texto a seguir se trata de uma OPINIÃO.

Tendo grande repercussão desde a sua estreia, em 31 de março, 13 reasons why ou os 13 porquês, lançada pela netflix e baseada nos livros de Jay Asher, é, atualmente, a série mais comentada no twitter. Tendo como tema principal bullying e suicídio, duas vertentes bastantes polêmicas, a série tem dividido opiniões acerca da real mensagem passada para seus espectadores.


Fonte: Internet/reprodução


O que diz a sinopse?

A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante tímido do ensino médio, que encontra uma caixa na porta de sua casa. Ao abri-la, ele descobre que a caixa contém sete fitas cassete gravadas pela falecida Hannah Baker, sua colega que cometeu suicídio recentemente. Inicialmente, as fitas foram enviadas para um colega, com instruções para passá-las de um estudante para outro. Nas fitas, Hannah explica para treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze motivos que explicam porque ela se matou. Hannah deu uma cópia das fitas para Tony, um de seus colegas da escola, que avisa para as pessoas que, se elas não passarem as fitas, as cópias vazarão para todo mundo, o que poderia levar ao constrangimento público e vergonha de algumas pessoas, enquanto outros poderiam ser ridicularizados ou presos. / Fonte: Wikipedia

A mulher no ponto de ônibus;


Era meio de semana, uma amiga e eu tínhamos ido ao shopping por algum motivo que não me lembro. Paradas no ponto de ônibus, a tarde se despedia dando lugar a escuridão da noite, iluminada pelas fortes lâmpadas da extensa avenida.

Fazia cerca de quinze minutos que estávamos lá, rodeadas de pessoas que não conhecíamos, quando uma mulher em particular me chamou a atenção. Baixa, aparentava ter mais de quarenta anos, negra. Os cabelos encaracolados, crespos, estavam curtinhos, o que me levou a teoria de que tinha assumido as madeixas naturais recentemente. Ao vê-la, eu sorri. A mulher, notando o meu sorriso em sua direção, retribuiu com a mesma alegria, porém, com confusão em seus olhos. Talvez se perguntava de onde me conhecia ou se me conhecia.

O fato é que nunca tínhamos nos visto na vida. O sorriso que direcionei à ela era o mesmo que eu abria ao notar toda e qualquer cacheada, em qualquer lugar. Naquele momento específico, meu sorriso tinha muito mais que felicidade ao ver uma mulher, com o dobro da minha idade, usando seus cabelos naturais – e sem vergonha disso.

O meu sorriso demonstrava admiração. Satisfação.

A aceitação tinha rompido mais uma barreira: a da idade. Quando iniciei meu processo de transição, ouvi muitas mulheres mais velhas dizerem que isso “era coisa de jovem”. Que para elas, já àquela altura, não fazia o menor sentido tentar reverter processos químicos. Assim, quando virei o rosto por puro costume e notei aquela mulher caminhar em direção ao mesmo ponto de ônibus que eu estava, a presença dela indicava muito mais do que outra cacheada num mundo de preconceitos e racismo.

A presença dela indicava mais uma geração engajada no amor próprio.
A presença dela indicava que nunca era tarde demais para se aceitar.

Saí do meu devaneio quando a mulher em questão veio até mim perguntar se determinado ônibus já havia passado, eu respondi que não. Logo em seguida, lhes falei que seu cabelo era muito bonito, ela sorriu largo o suficiente para se tornar em gargalhadas.

“O seu é mais”, ela respondeu. Acompanhei suas risadas e lhes disse que isso não era verdade, que ambas as cabeleiras eram lindas e únicas ao seu modo.

O ônibus que ela esperava chegou, a mulher saiu e eu a acompanhei. Ao chegar próximo as escadas, ela se virou e se despediu de mim. Com um aceno e um sorriso pequeno, retribui.

E, de maneira tão simples, aquela mulher me fez feliz. Fez-me realizada pelo que temos lutado, pelo que tanto pregamos nas redes sociais, nas ruas, nas rodas de conversas, na nossa existência.


Que mulheres negras devem ser livres para se amarem como são. 

#VLOG ― BATE-PAPO COM DIOGO SOUZA;


Não, isso não é uma miragem! O vlog da Thi foi atualizado SIM e eu sei que devo algumas explicações por conta do hiatus, mas deixa pra outro vídeo. Hoje, o canal que é parte integrante deste blog, traz a última parte de um bate-papo maravilhoso com o escritor Diogo Souza, grande parceiro do Apenas Fugindo, e autor do blog Cara do Espelho. Nossa conversa foi enorme e, por isso, dividimos em três vídeos. Neste post, trago os três vídeos em  sequência para você não perder nada do que conversamos.

Senta aí, pega um balde de pipoca e vem rir com a gente! 


Parte 1





Parte 2





Parte 3 - Final



5tracks: Músicas para escrever - Playlist8


Ora ora se não são as playlists voltando por aqui!
Isso mesmo! Chuva é sempre um negócio ótimo (exceto se você está caminhando sem um guarda-chuva), em diversos sentidos, inclusive para inspiração. Pensando nisso, resolvi trazer mais uma playlist com cinco músicas lentinhas que são ótimas para escrever ou ler um drama. Afinal, quem não ama um drama?

5) More than this – One Direction


Isso mesmo, que comece o julgamento logo de cara. Quem me apresentou essa música foi a Helena, lá em 2012, e eu gostei bastante do ritmo. Foi More than this, inclusive, uma das principais músicas para escrever Beginning again, como já citei no post de aniversário em 2015. O conceito da letra é semelhante ao de Treat You Better de Shaw Mendes, então é ótima para cenas de uma personagem sofrido apaixonado por alguém que já está comprometido.

4) I’m Sorry – The Maine


Aviso desde já que vai ter The Maine de novo nessa playlist sim. A música é, claramente, sobre término, o que serve totalmente de base para cenas de pós e durante briga de casal. Pode ser usada também em cenas de flashback, onde uma das personagens relembra situações específicas ao lado da outra, após o término.

3) Misguided Ghosts – Paramore


Como já dá pra deduzir pelo nome, a letra da música é super triste, porém bem reflexiva. Pode ser usada em cenas e situações em que a personagem decide ter um tempo para si e acaba indo embora, o que pode resultar em brigas e/ou términos (a depender do enredo). Citando um amigo que recentemente adentrou a blogsfera: “Que música triste do cão” CARVALHO, Lucas.  

2) 24 Floors – The Maine



Xodózinha dentre as músicas do The Maine, a letra é BEM triste. Pode ser usada como base para cenas com foco em uma única personagem e seu conflito. A própria letra da música já dá um bom conto no estilo dramático, se for analisar. Pode ser utilizada também para cenas de discussão e/ou término.

1)    Apologize – One Republic


Uma daquelas músicas que a gente escuta por um tempo, esquece, e redescobre no spotify. Eu já a imaginava como uma ótima trilha sonora para cenas tristes e/ou reflexivas e após vê-la em um episódio de Cold Case (assistam essa série, obg dnd), só confirmei. Pode ser utilizada para cenas pós-término, quando uma das personagens decide voltar atrás, como também para cenas de drama maior, com mortes e coisas do tipo. 

E aí, o que achou da playlist? Comenta aí!

Indicação — Shampoo + Condicionar Clinical Cachos U.T.I Capilar;


Já faz um tempinho que eu planejo fazer uma indicação desses dois produtinhos lindos e sempre acabo adiando ou esquecendo. Porém, NÃO MAIS! Chega de promessas falhas neste blog. Então senta aí que a indicação já vai começar!

O que diz o rótulo?

Clinical Cachos Shampoo&Condicionador. Único Tratamento Intensivo dos seus Cabelos; Com Manteiga de Karité, D-Pantenol e Óleo de Rícino; Sem sal; pH: 5,0 a 6,0 (Shampoo) pH: 2,5 a 3,5 (Condicionador); Sabendo que os cabelos cacheados precisam de maior hidratação o shampoo clinical reconstrói os fios quebradiços e repõe os nutrientes essenciais para a recuperação da saúde dos cachos; Promove a hidratação e o desembaraço dos fios, auxilia na reconstrução da saúde dos cabelos.
Bom, infelizmente, não comprei os produtos em supermercado ou lojas de cosméticos. Por aqui onde moro, eu comprei de um revendedor da marca Kelma, responsável pelos produtos, chamado Denilson. Os dois juntos fica em torno de R$ 40,00, mas calma! Já adianto que vale a pena. Tendo como especialidade a reconstrução do fio, não há a necessidade de usar nos cabelos em toda lavagem. Há cada 15 dias é o bastante para ter cabelos fortes e hidratados, se seu cabelo estiver precisando urgentemente de reconstrução, o máximo recomendado é utilizá-los uma vez por semana. Infelizmente (para algumas), não é um produto liberado, o que pode dificultar no momento do uso, mas como não sigo essa linha, está de bom tamanho para mim. 

E aí, cumprem o que prometem?


A produção de espuma é na medida e o shampoo realmente faz uma limpeza forte no couro cabelo. É claro que não dispensa o uso de pré-shampoo uma vez ou outra, mas este Shampoo limpa adequadamente sem a necessidade de repetir a operação. Na primeira vez que usei, tinha passado três dias usando coque, ou seja, os fios estavam totalmente sem forma. Deixei o condicionador agir por cerca de três minutos e, mesmo molhado, o cabelo já formava uns cachinhos nas pontas. Gostei da maciez e do brilho que causou, além de ter definido BEM os cachos. E uma notícia ótima: No day after, o cabelo acordou praticamente igual ao dia da lavagem! Ao acordar, passei apenas um óleozinho no cabelo e pronto! Parecia que eu tinha acabado de lavar. Confere aqui nessa foto que eu tô bem ridícula, mas o que conta é o cabelo HAHA

Para quem mora aqui em Tobias Barreto e região e deseja adquirir os produtos, é só procurar o revendedor Denilson pelos telefones 079 9 9955 4661 / 079 9 9155 1716 ou falar comigo que eu passo o contato pra ele, tem também o facebook, né, só chamá-lo por lá. 

É isso! Espero que tenha gostado. Já usou? Quer usar? Tem alguma dúvida? 
É só deixar um comentário. 

― Você não é perfeito;


Sou competitiva.
Obviamente, isso é um completo defeito.

Mas, é claro, os nossos defeitos são, em sua maioria, ressaltados, quando provocados. É complicado lidar com pessoas que insistem em mostrar que são melhores não em uma, não em duas, mas em todas as coisas e situações que englobam a vida.
Muitas dessas pessoas, dada a grande insinuação de superioridade que suas conversas carregam, acabam não sendo críveis. Afinal, é desconfiável a credibilidade de alguém que nunca erra. A não ser, é claro, que esta pessoa seja Jesus Cristo, de acordo com a minha crença religiosa.

Dentre os demais seres mortais que povoam e já povoaram esta terra, é de conhecimento da grande maioria que todos nós erramos. E que, em algum momento da vida, todos nós falharemos em algo, todos nós teremos algo que seremos um completo desastre.
Isso faz parte da vida e serve para que, em convívio em sociedade, se saiba entender o outro e o sucesso do outro. Afinal, o outro tem o direito de ser bom em alguma coisa, mesmo que você também seja bom nesta mesma coisa. Cabe a você (ao menos, é o esperado) que discuta do mesmo assunto, de igual para igual.

Pois, entendemos que conquistas e derrotas devem ser respeitadas. Todos, sem isenção – exceto Jesus! – nunca seremos unicamente bons. É do ser humano, independente da sua crença, você sabe que, no fundo, é do nosso feitio cometer erros. Falhar.

Mas, novamente, é preciso compreender. Dar espaço ao outro, ouvir a sua voz, mesmo que discorde dele. Respeitar. Deixá-lo expressar seu ponto de vista, respeitosamente, para que assim você possa expressar a sua também. Ninguém é 100% bom em tudo. Ao invés de trazer argumentos chulos, vazios e sem base, numa tentativa de estar certo sobre TODOS os tipos de assuntos, ao invés de tentar contar vantagem sobre todas as histórias contadas pelos outros, ao invés de fazer da sua companhia algo maçante e insuportável, pois não há lugar para uma voz que não seja a sua,

Ceda. Ouça. Respire. Cale. Atente-se. Compreenda.

Respeite.

Mas, se no fim das contas, caso você ainda prefira ter a ideia de que necessita ser melhor que os demais, vender uma imagem que não é a sua e, acima de tudo, permanecer na ignorância de que calar os outros, fique atento

Logo eu,

a competitiva.

[COLABORAÇÃO] Resenha — A Chegada;


Olá pessoas lindas, hoje eu tenho uma indicação de filme que deixou minha cabeça explodindo e que me fez até sonhar, SIM! Sonhar com esta obra cinematográfica maravilhosaaa. E sem mais demora apresento-lhes “A chegada”.



Em um dia nada normal, doze naves ovais e escuras surgem sem aviso em pontos aleatórios do globo. Imediatamente, pânico, violência e confusão começam, enquanto governos tentam estruturar uma maneira de se comunicar com essa força invasora, que simplesmente apareceu, sem dar explicação alguma.

A Chegada é um filme dirigido por Denis Villeneuve e conta como protagonista a talentosíssima atriz Amy Adams, que vive o papel da Dra. Louise Banks, uma linguista renomada e que já trabalhou anteriormente para o governo Americano. Por conta do seu grande conhecimento na área linguística, Dra. Louise é convocada para entender e traduzir o que os seres recém-chegados ao nosso planeta têm a dizer, mesmo que tudo que eles transmitem mais se pareça com sons aleatórios, do que palavras. Ao lado de Louise, temos o ator Jeremy Renner que interpreta Ian Donnelly, um cientista que vê o mundo a sua própria maneira e precisa cooperar com Louise para entender o que os visitantes querem com nosso planeta.

A partir das apresentações das personagens já feitas, a trama começa a oferecer um curioso argumento linguístico, que no filme, recebe uma edição incrível, segurando o espectador pela mão e o colocando, passo a passo, dentro do raciocínio da Dra. Banks, conforme tenta decifrar a inexplicável língua extraterrestre: na forma falada, é uma série de ruídos e grunhidos, e na forma escrita, consiste em símbolos circulares sem começo nem fim.


A Chegada é muito mais que uma simples história sendo contada no cinema, é realmente uma mensagem que usa dos elementos da ficção científica para mexer com os sentimentos mais humanos que existem. O medo do desconhecido e a maneira com a qual lidamos com seus efeitos e resultados é tratado no filme de uma maneira bastante convincente. Um longa que vai mexer com sua imaginação e com seus sentimentos como há muito tempo não via acontecer. Um verdadeiro clássico instantâneo.

Curiosidades:

- A trama estava na lista de premiação do Oscar 2017;
- Um livro de Ted Chiang traz inspiração do filme, chamado “História da sua vida”;
- Infelizmente a atriz Amy Adams não foi indicada ao Oscar de melhor atriz (até hoje eu estou inconformada);


Escrito por: Bruna Freire

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Bruna Freire, 19 anos, estudante de Direito. Adora fotografar e é muito fã daquele velho e ótimo Rock and Roll. Completamente apaixonada por animais, livros, séries, filmes, HQs e por café, pois café é vida. Uma pessoa amavelmente bruta que admira sorrisos e olhares sinceros, mas principalmente adora à vida.


Inspirações súbitas ― Why aren't they together, anyway?


Eles se conheciam desde sempre. Ele era o irmão mais novo do amigo do primo dela, estudava uma série a menos e era amigo do melhor amigo dela. Logo, não fazia a mínima ideia de quando o conhecera, só sabia que ele existia. Sempre soubera que ele existia. Era comum que, quando se encontravam, além dos cumprimentos, um abraço acontecesse vez ou outra, mas isso não tinha o menor significado, já que ele era assim com todo mundo. Os amigos dele eram assim com todo mundo. Suas conversas raramente passavam de coisas triviais e eles sequer demonstravam interesse para que algo pudesse ser aprofundado.

Eles se cumprimentavam, abraçavam-se, riam com os outros e iam embora. Era sempre assim e parecia confortável desse jeito.

Os anos de escola acabaram e, novamente, eles estavam inseridos na rotina um do outro, dessa vez na faculdade. No ônibus fretado para levá-los (junto com outros quarenta e seis estudantes) até a universidade, eles se sentavam relativamente perto, mas nada que fosse relevante. Na ida, ela costumava ler, ele dormia. Na volta, ele costumava assistir séries ao lado do irmão, já ela dormia.

Certa vez, por inconveniência de uma pessoa, ela passou a sentar-se no banco atrás do habitual, ficando lado a lado do velho conhecido, corredor com corredor. Inicialmente, nada aconteceu. A rotina de viagem dos dois parecia despretensiosamente inabalável e, por muitos dias, nada mudou. Até que um dia, por algum motivo qualquer, ela resolveu não dormir. Em meio a um episódio, ele lhes ofereceu um biscoito e ela aceitou. Ele ofereceu novamente, faminta como estava, ela quis o segundo. E o terceiro.
E quando ela perdeu as contas, um assunto surgiu.

As viagens se tornaram muito mais divertidas, especialmente as de retorno. Ele sempre tinha um biscoito e ela sempre tinha fome, logo, era o conjunto perfeito para que ficassem mais de duas horas conversando sobre coisas que não faziam o menor sentido e que pareciam extremamente interessante aos olhos dos dois.

Com isso, boatos surgiram. Muitos perguntavam se eles ficavam ou se já tinha ficado. Ela achava um absurdo, visto que, ora essa, ele era assim com todo mundo. Não tinha cabimento aquele tipo de coisa! Além do mais... era ele, afinal, não fazia o menor sentido.
Quanto mais o tempo passava, mais as pessoas ao redor deles repetiam que formariam um belo casal, perguntavam o que estava rolando entre os dois ou os olhava com expressões suspeitas quando conversavam. Para ela, a resposta era sempre a mesma:

“Não tem nada a ver”.

Em uma situação específica, logo após tê-lo encontrado em um dos intervalos das aulas na faculdade, um amigo a perguntou se ele gostava dela. Estranhando a pergunta e exibindo uma expressão de quem achava aquilo um absurdo, ela respondeu “Claro que não! Por que você acha isso?!”, o amigo apenas riu e disse “Por nada”.

Os dias se passaram, as perguntas e boatos permaneciam e ela resolveu ignorar. Afinal, ela tinha plena ciência de que aquilo era um absurdo. Onde estavam com o a cabeça para imaginá-los juntos? Até parece! O assunto nem mesmo surgiu entre eles de tão óbvio que era a não evolução do relacionamento dos dois. Além do mais, eles discordavam em tudo. Tudo mesmo. Até quando se popularizou a discussão do vestido, onde alguns enxergavam azul e preto, outros viam branco e dourado, eles discordavam. Eles concordavam em discordar. Onde que uma relação assim poderia evoluir e dar certo? Nunca!

Era um dia qualquer da semana e, novamente, eles conversavam durante a viagem de volta pra casa. Àquela altura ele já não via tantos episódios ao lado do irmão e seu tempo era quase todo dedicado à ela (quase porque, não muito raro, ela simplesmente dormia). O irmão dele, do outro lado, assistia sozinho uma série de seu gosto e, mesmo que o brilho estivesse no mínimo, a luz se espalhava até a conversa dos dois.

Enquanto ele falava animadamente sobre algum filme que seria lançado naquele ano, ela se colocou a observá-lo. De longe, era notável que ele era o tipo ideal de cara que ela gostava. Alto, magrinho, usando óculos e de cabelo ondulado. Mas isso era irrelevante, pensou ela, afinal boa parte dos seus amigos era assim. Enquanto falava, ele gesticulava levemente (se comparado a ela, que era totalmente exagerada) e a moça pôde notar que suas mãos eram grandes com dedos finos e tortinhos, coisa que ela achou uma graça.

Ao fim da fala dele, a garota fez algum comentário bobo em seu clássico tom esnobe, situação que o fez rir abertamente. O som da sua risada foi extremamente agradável aos ouvidos da moça que riu junto apenas para que a gargalhada alheia continuasse e assim pudesse apreciá-la por mais tempo. Enquanto ria, ele apoiou a testa na poltrona da frente, negando com a cabeça e, assim, tendo a luz do computador do lado contrário realçando a silhueta de seu rosto e deixando o maxilar em evidência. Como ela nunca tinha notado aquele maxilar antes? Em formato de ‘V’, era uma das características que ela mais notava nos homens, ao lado das amigas, chamava de “maxilar de anime”, diante da semelhança com os desenhos japoneses.

De repente, as perguntas e insinuações dos outros passaram a fazer sentido. Por que eles nunca tiveram nada, mesmo? Nem mesmo o assunto surgiu entre eles, mas por quê? Talvez porque não tivesse tido oportunidade, mas o que seria essa oportunidade? Era preciso cria-la? E por que ela estava pensando nisso aleatoriamente e tão repentinamente?

Ele se voltou para ela, ainda tendo um sorriso nos lábios e mudou de expressão rapidamente, abrindo exageradamente os olhos, do jeito que fazem quando ajeitam os óculos sem usar as mãos. Ela tinha os olhos fixos no rosto dele e o queixo apoiado na mão. Os grandes olhos castanhos demonstraram confusão e, ao arquear uma sobrancelha, ele disse:

“O que foi?”
Ela, que só agora se dera conta de que tivera um longo devaneio sobre ele, sobre eles, num momento completamente inoportuno, mexeu a cabeça como se afastasse os pensamentos e respondeu:

“Nada. Só viajei aqui”.

Indicação — Creme de Limpeza Hidra Poo da Garnier Fructis;

Olha só quem voltei com mais um produto para cachos e crespos para você! Ele é tão maravilhoso que ganha um post inteirinho só para ele, pois sem condições. O queridinho da vez é o Cachos Poderosos Hidra Poo Creme de Limpeza da Garnier Fructis. Essa maravilha foi presente de uma pessoa incrível (oi, Thaíla) e como ela vive me perguntando sobre resultados, resolvi fazer a postagem.



O que diz o rótulo?


O Hidra Poo é um creme de limpeza revolucionário que limpa de forma eficaz sem agredir, ao mesmo tempo que desembaraça, hidrata e ativa a definição dos cachos durante a lavagem. Isso porque sua fórmula é rica em agentes nutritivos combinados com ativos de limpeza. Sem petrolato, sulfatos e parabenos, produzindo baixa quantidade de espuma e realçando os cachos.Tudo em um: 1. Limpa sem ressecar; 2. Hidrata sem pesar; 3. Solta para melhor definição.


Bom, eu não tenho costume de usar produtos liberados e um dos motivos mais fortes é a falta desse tipo de linha aqui onde eu moro (o interior do interior do interior do Brasil, né, migs), por isso que só consegui justamente por ter sido presente. Do meio do ano passado pra cá é que esses produtos estão chegando por aqui, ainda devagar, mas tá vindo. O que a Thaíla me mandou foi o para cachos fechados de 3c a 4c e, apesar do meu cabelo ter resquícios de 3b, funcionou perfeitamente.

A linha Cachos Poderosos da Garnier é maravilhosa e não há como negar. Já usei shampoo, condicionador, máscara de tratamento e atualmente estou usando o creme de pentear, o super óleo e o hidra poo. Todos demonstraram efeitos sensacionais. O valor do hidra poo especificamente fica em torno de R$ 20,00, porém, como seu uso não é contínuo, vale a pena. No rótulo não há instruções de uso, então fiz a boa e velha pesquisa na internet e depois de muito ler, optei pela seguinte forma:

Após lavar o cabelo com um shampoo de sua preferência (shampoo mesmo, não pré-shampoo), aplicar no couro cabelo e no comprimento, deixando agir por cerca de três minutos. Como eu tenho o costume de lavar o cabelo/tomar banho ouvindo música, geralmente o tempo é uma música HAHA. Confesso que quando usei pela primeira vez fiquei um pouco confusa, dada a falta de espuma. Então dei uma exagerada na quantidade, mas depois aprendi (e economizei porque né).

E aí, ele cumpre o que promete?


S I M. Em caps lock e letras separadas para notarem a ênfase. Moro no nordeste, ou seja, uma das coisas que mais prejudica meu cabelo é o calor, deixando o couro cabelo muito sujo diante do suor. A limpeza é realmente profunda, já cansei de lavar o cabelo e ficar com dor de cabeça de tanto esfregar e, mesmo assim, ter umas e outras sujeirinhas após a lavagem. Problema este que não tive com o produto. Já no tempo em que está agindo, os cachinhos começam a se formar e, no momento de lavar, o creme sai sem problemas. O cabelo realmente fica mais leve, mais solto e mais definido. Particularmente, gosto de usar em dias que o cabelo está muito sujo e que eu preciso de uma hidratação forte, mas estou sem tempo (ou com preguiça, acontece bastante). Logo, temos dois problemas resolvidos de uma vez só. Depois de usar, é só passar o condicionador para selar a cutícula do fio e finalizar do modo que preferir. 

Espero que tenha gostado! Já usou o Hidra Poo? E aí, o que achou? Conta aí.

Perfil Jornalístico — Um resgate ao tropeirismo;

Foto: reprodução 

Este perfil foi escrito originalmente em 26 de novembro de 2014, como avaliação da disciplina Linguagens e Mídias. 



“O próprio nordestino se auto discrimina, ele se adequou às novas tecnologias e esqueceu um pouco a história; valoriza muito o que é do sul e esquece sua origem.” Com um chapéu verde na cabeça, roupas confortáveis, uma camisa branca simples e uma bermuda jeans desgastada, Pedro Meneses segurava chaves nas mãos e brincava com estas, os olhos fixos nas crianças brincando no parquinho à sua frente. Vez ou outra admirava o local ao seu redor e depois olhava pra mim. O vento fazia os curtos cabelos negros dentro do chapéu balançarem levemente, e então ele fechava os olhos, por breves segundos, aproveitando a brisa.

Seu espaço, chamado de “Recanto da Serra”, fica na divisa entre Tobias Barreto e Poço Verde, cidades do interior de Sergipe, em meio ao baixo sertão nordestino. Logo após uma longa estrada de terra, é possível ver a cancela nas cores amarela e verde, seguida de um pequeno trecho com várias árvores durante o percurso, pneus coloridos abaixo destas, alegrando a entrada do lugar. Em seu interior, há um Museu e alguns chalés; a budega dos tropeiros, um espaço para almoço e piscina; Também é possível fazer trilha pela Serra logo ao lado do recinto.

Quando aluno na graduação em História, despertou-se nele a curiosidade de conhecer seus antepassados, ao que descobriu serem tropeiros: os responsáveis por transportar e entregar objetos pertencentes aos cangaceiros e a Lampião, bem como mercadorias e até notícias entre lugarejos. Iniciou então a busca por mais valorização de tal cultura e ainda por mais informações de suas heranças. A sede do museu é uma casa de Taipa da década de 1930, a qual pertenceu ao seu pai, Antônio “Tonho” Rocha, e desde 2008 é aberta para visitas. Contém objetos que pertenceram aos tropeiros e ao cangaço, como armas, coleção de pedras que pertenceu ao avô, diferentes tipos de dinheiro, a cópia do registro de Lampião e suas curiosas colheres de prata que, ao serem colocadas na comida e esta estiver envenenada, aderem a cor preta. Setenta por cento deste acervo é pessoal, complementado com doações de moradores locais, contando ainda com familiares próximos.

Entre as atividades feitas no Recanto, há a Trilha dos Tropeiros, onde os visitantes vão sertão adentro, refazendo o caminho que um dia fora feito por esses viajantes, buscando a realização de seu trabalho como entregadores do cangaço. O espaço é totalmente aberto para visitação por meio de agendamento e conta com uma pequena taxa que inclui usufruir das atividades e almoçar no local, assim como é aberto para eventos: retiros religiosos, formaturas, sendo acordados os valores apenas para manutenção. Todo o lucro é destinado à conservação do local, porém este ainda não é autossustentável, dados os gastos adicionais com funcionários. “Se você gosta, você tem que tocar”, explica Pedro, sobre as dificuldades encontradas para a preservação do Recanto.

Pedro Meneses tem trinta e cinco anos e é formado em Jornalismo, História e Pedagogia. Pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional, atualmente é estudante do curso de Direito. Para aqueles que priorizam a boa aparência, o uso de terno e gravata, desacreditariam ou custariam acreditar nas afirmações acima assim que o vissem. Pedro dispensa a soberba e o ego inflado por conta dos inúmeros feitos, vive de simplicidade e humildade. O seu conhecido chapéu de couro, marca dos cangaceiros, está quase sempre colocado na cabeça, em um claro sinal de orgulho por suas raízes, de ter vindo de onde veio.
Quando perguntado sobre a escassez de informação acerca da história do cangaço e do nordeste, diz a frase que inicia este texto, pois também atribui ao próprio nordestino o desinteresse em conhecer os primórdios de sua cultura. Cita suas preferências musicais e lamenta o descaso de muitos conterrâneos com o clássico forró pé-de-serra, o ritmo destas terras. Lastima também o pouco conhecimento acerca dos cangaceiros no nordeste em si, mesmo que eles tenham estado presentes em sete dos nove estados da região. Ainda falando dos bandoleiros, comenta o livro que está escrevendo e é intitulado “Lampião, o Governador do Sertão”, em que conta a proposta de Virgulino para dividir o estado de Pernambuco em dois. Diz ainda que Lampião, assim como seu pai, Zé Ferreira, também fora tropeiro antes de se tornar o mais lendário cangaceiro na história do Brasil.

Sobre a valorização da literatura estrangeira, lamenta novamente com um menear de cabeça e cita o grande Tobias Barreto de Meneses, escritor que nomeia o município onde vive, mencionando que se fôssemos procurar cidade adentro, acharíamos pelo menos uns quinhentos escritores ainda não revelados, seja por falta de incentivo até mesmo do poder público, das próprias instituições, e também de nós, como cidadãos, que poderíamos valorizar mais o que temos aqui mesmo nas ruas da nossa cidade. Ele ri quando digo que também sou escritora e mais uma vez, com um menear de cabeça, ele me apoia, com os olhos brilhantes fixos em mim.

Pedro possui um projeto de livros de cordel, um programa de cultura, que já conseguiu lançar mais de vinte títulos de poetas do interior, aqueles que dão vida aos versos em suas roças, sítios e fazendas do Estado. Muitos desses são deficientes visuais, nesses casos, a poesia é gravada em áudio para depois ser transcrita. Outro projeto, chamado Tropeiro da Leitura, o leva até as escolas montado em um cavalo e caracterizado como tropeiro, fazendo a leitura para os alunos. Com um sorriso no rosto, fala que Renata Alves do programa “Achamos no Brasil”, da Rede Record, esteve visitando o Recanto e logo menos poderíamos ver o espaço sendo exibido em rede nacional. E foi: Um dia depois a minha visita, no fim de tarde do Domingo, Pedro Meneses e todo seu acervo do cangaço estavam na TV Brasileira.

Ao final da entrevista, quando agradeço por me receber e me apresentar o seu espaço, Pedro agradece a mim pela oportunidade de mostrar um pouco mais dessa cultura, deixando um convite para visitas o Recanto da Serra. Quando pergunto se posso tirar algumas fotos, ele me manda ficar a vontade, mas avisa que lá não se tira uma foto, mas sim um “retrato”; e não se faz a volta, mas se arrodeia. Brinca com os coloquiais da nossa região, que tanto nos marcam e fazem parte não só do nosso dia-a-dia, mas da nossa história, de onde nós viemos.


Em meio ao frenesi tecnológico desta geração, que prioriza a praticidade servida pelos recursos mecânicos, onde o “ter e exibir” é mais importante que o “ser”, nos surpreende encontrar pessoas como Pedro Meneses, escondidas nos cantos do nosso grande Brasil. Pessoas simples, de humildade sem tamanho, que antes de qualquer outra coisa priorizam o “estar feliz”, não importa de que maneira. Pessoas encontrando, nas mais singelas situações, motivos que fazem toda a sua luta valer a pena. Seja um elogio, o sorriso de uma criança ao brincar à sua frente no parque, ou poder compartilhar com a aspirante a jornalista suas experiências de repórter-historiador-professor-quase advogado que já viu muito da vida, e tem tanto conteúdo a oferecer.

Não retirar sem os devidos créditos.

Um ano que nos separa de seus olhos verdes;

Poderia ser um dia comum.
Eu estaria nas ruas, morrendo de sono, rumando a Lotérica mais próxima para pagar as contas de casa, já ciente da quantidade de pessoas que estariam na fila e que levaria pelo menos meia-hora para que eu pudesse voltar para casa e sair do calor daquele espaço.

No meio do caminho, como algumas vezes aconteceu, eu o encontraria. Na mesma alegria de sempre, nos cumprimentaríamos e um caloroso abraço seria dado.

- E aí, Thiarlley, já terminou a faculdade? – Seria a sua pergunta. Eu negaria com a cabeça.
- Termino esse ano, se tudo der certo. – Eu daria de ombros e ele negaria com a cabeça. – E você, hein, vai voltar quando?
- Mas termina sim, oxente! – Ele olharia os lados como de costume e então iria coçar a nuca, em um claro de sinal de complicação. – Rapaz, eu nem sei. Tem que ver aí com esse FIES, né...

Nós então mudaríamos de assunto e chegaria o que nós tanto falamos no ano passado: São Paulo. A saudade da grande metrópole, nós falaríamos de todos os passeios que tivemos, do preço das passagens, dos planos que tínhamos para as próximas viagens.

- A gente podia ir nós três juntos no mesmo voo, eu sempre vou sozinha. – Eu falaria, claramente empolgada com a história. Ele riria com a minha empolgação.
- É mesmo, a gente pode combinar isso então. Quando você vai? – Seria a sua pergunta. Eu responderia que ainda nem sabia quando, mas que era provável nas férias.

Começaríamos então a estipular datas, possíveis linhas aéreas, e até lugares que a gente não foi nas viagens anteriores. “Você saiu mais que eu”, “Eu nem fui no Starbucks”, “A gente podia sair todo mundo junto”. E depois de muitos planos, nos despediríamos, afinal, eu ainda iria pagar as contas e ele provavelmente teria algo para fazer também. Com mais um sorriso e um aceno, diríamos “até depois” e cada um seguiria seu rumo.

Mas a probabilidade dessa conversa acontecer não existe mais.
Num feriado qualquer, quando todos estavam aproveitando do descanso para se divertir ou simplesmente relaxar, o improvável aconteceu.
Atlético como era, ninguém nunca pensou que algo do tipo fosse acontecer justamente com ele.

Após uma longa partida de futebol com os amigos, ele decidiu mergulhar.

Ele mergulhou e seu corpo retornou sem vida.

Ele mergulhou em águas profundas o suficiente que o levaram de nós. Assim, de uma hora para outra, tão rápido quanto um piscar de olhos.

A garganta se fechou, a água adentrou sem o direito de estar lá e assim o levou.

E então se foi.

Sem nem mesmo termos tido preparo para aguentar, sem nem mesmo termos dito tudo que queríamos, sem nem mesmo termos olhado nos olhos verdes tão brilhosos uma última vez.

Nos faltaram palavras na boca,
 e sobrou a dor no coração.

A dor de reorganizar a vida sem ele.
A dor de todos os sonhos interrompidos, os planos frustrados, a vida terminada.


E o que nos restou além disso tudo? A certeza de quem ele era. O rapaz que desde sempre foi exemplo. Gentil, sorridente, educado, dedicado a família. Um atleta como poucos. Atencioso, tímido algumas vezes, brincalhão quase sempre, sonhador.

O que nos restou foi uma saudade, meu primo, mas uma saudade que nunca vamos saciar.

Talvez a gente acostume.

Mas isso é só um talvez.

Em memória de Iran Valadares
25.10.1993
09.02.2016

Poesia de sábado — Teu olhar;


TEU OLHAR


Que olhar fascinante,
Atraente, sedutor;
Olhar célere, ligeiro.
Todo instante quero vê-lo
Este olhar cheio de amor.

Não há frases, palavras,
Mas se ver muita expressão;
Este olhar bem cativante,
Um convite ao romance,
Diz o que sente o coração.

Quisera eu te conquistar.
Acredito, teria chance,
Mas hesitei em te falar,
Te querer por um instante,
Só iríamos nos machucar.

Este olhar irresistível
Me faz perder a razão,
Preciso dele fugir
Para não ser atingido
Pela danada da paixão.

Como um milagre,
Você foi pra longe
Não vejo mais teu olhar
Alivia a minha alma
Já que não posso te amar.

Escrito por: Rogério Santos
07.06.16

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Rogério Santos, entre 40 e 50 anos, mas num sou velho não, viu?! Representante comercial, radialista, escritor quando dá certo e pai da dona desse blog! Já fui poeta um tempo, mas o tempo agora é outro que me falta. Ah, tempo danado!