Apenas Fugindo no “Versatile Blogger Award";

Olá, olá! É com extrema felicidade que trago este post. O blog Apenas Fugindo  foi indicado ao " Versatile Blogger Award" pelo Diogo Souza, do blog Cara do Espelho. Quando coisas do tipo acontecem, dá até um frescor no lado esquerdo peito, ao saber que o meu trabalho está sendo reconhecido.  



O Versatile Blogger Award, é uma iniciativa para blogueiros destacarem o trabalho de outros blogueiros, numa espécie de troca, para incentivar ainda mais os blogueiros a criarem conteúdos com qualidade e se manterem ativos, o que todos nós sabemos que é um desafio e tanto.

Assim que se é indicado, é preciso cumprir algumas etapas. Então vamos lá?

Agradecer à pessoa que lhe concedeu o prêmio
Meu amigo, muito obrigada pela indicação. Você sabe o quanto tem importância na existência e manutenção do meu espaço, afinal, sua determinação e garra em se manter ativo vieram até mim. Sabe que te amo. 

Mencionar o blog da pessoa que lhe concedeu o prêmio
http://caradoespelho.blogspot.com.br 

Selecionar 15 blogs para também receberem o prêmio:

1. Tips and Confessions - http://tipsnconfessions.blogspot.com.br/ 
2. Dá-me um livro - http://da-meumlivro.blogspot.com.br/
3. Loucura por leituras - http://loucura-por-leituras.blogspot.com.br/ 
4. Blog Giovanna Sabrine - http://giovannasabrine.com.br/
5. Blog Joyce Alves - http://jjoycealves.blogspot.com.br/
6. Aquela velha epifania - http://aquelavelhaepifania.blogspot.com.br/
7. Mariollla - http://www.mariollla.com/
8. Notas mentais para um dia qualquer -  http://notasmentaisparaumdiaqualquer.blogspot.com.br/
9. O diário de uma escritora iniciante - http://odiariodeumaescritorainiciante.blogspot.com/
10. Versos da Alma - http://v3rsosdaalma.blogspot.com.br/
11. Lírios ao Mar - liriosaomar.blogspot.com.br/
12. Balaio de Babados - https://balaiodebabados.blogspot.com.br/
13. Penúltima Janela - http://penultima-janela.blogspot.com.br/
14. Coruja sem asas - http://www.corujasemasas.com.br/
15. Natureza Literária - http://naturezaliteraria.blogspot.com.br/

Contar à pessoa que me indicou, sete coisas sobre mim:

1. Tenho asma, alergia, bronquite e rinite.
2. Sendo assim, não posso ter NENHUM animal de estimação e isso é bem triste.
3. Moro só com o meu pai.
4. Aceitei meus cabelos cacheados há pouco tempo.
5. Sou apaixonada por cupcakes.
6. Minha saga literária favorita é Desventuras em Série ❤
7. Ultimamente, desenvolvi interesse e habilidade por coisas estilo do it yourself e quero reaproveitar TUDO que vejo.

Gostou? Deixe seu comentário!

Indicação #12 — 'Tá todo mundo mal' Jout Jout;

Título: Tá todo mundo mal
Autora: Jout Jout
Páginas: 196 páginas
Editora: Companhia das letras
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, ou Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De voltar frustrada das festas da adolescência por não ter encontrado o príncipe prometido por sua mãe a não fazer a menor ideia de que carreira seguir. Neste primeiro livro, ela reuniu suas "melhores" angústias em textos tão espirituosos e iluminadores quanto os vídeos do seu canal no YouTube. Família, corpo, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar ou mesmo o que fazer com os sushis que sobraram no jantar são algumas das questões que ela levanta e com as quais todos nós podemos nos identificar e até nos confortar - pois nada como conhecer uma crise alheia para aliviar nossas próprias neuras. 

         Antes mesmo de levar pedradas, aviso que eu também tinha certo receio com os livros de youtubers. Na verdade, ainda tenho. Quando Jout Jout anunciou que estava preparando o seu, confesso que torci o nariz, pois, para mim youtubers e literatura deveriam se unir, apenas, quando se tratava de resenhas e indicações de leitura. Porém, quanto mais eu acompanhava o canal dela e percebia os assuntos do cotidiano, polêmicos ou não, mais eu percebia o quanto um livro dela não seria, de todo modo, ruim.

Eu adorei a diagramação do livro e esse contraste do amarelo com preto!


         Acontece que eu acertei quando deixei meu pré-conceito de lado e resolvi ler Tá todo mundo mal, que inclusive ganhei de natal, num amigo secreto (boa escolha, primo). Com quarenta e seis crônicas curtas, o livro possui leitura leve, além de relativamente poucas páginas, ou seja, dá para ser lido em um único dia e nem perceber a hora passar. Todas iniciam os nomes com “A crise de” e algumas delas podem ser interpretadas como situações banais, mas, ao lê-las e entendê-las, surgem reflexões que nos levam a pensar nossas vidas, escolhas – e, é claro, crises.

         É incrível como, muitas das crônicas, trazem a seguinte frase a tona: Eu achava que isso só acontecia comigo! Um bom exemplo disso é “A crise da ausência de talentos” (p. 72), onde retrata o pensamento que já rondou todos nós ao sermos rodeados de pessoas que desenham, pintam, tocam algum instrumento, fazem maquiagem perfeitamente bem, ama cálculos e etc. No nosso íntimo, mesmo que não seja demonstrado, isso nos afeta, pois, nos vemos isentos de um diferencial, de algo que nos torne únicos como são os nossos amigos.

A questão é que, enquanto todo mundo parecia ter uma verdadeira vocação, ou pelo menos alguma facilidade para alguma coisa, eu me via em frente a um computador assistindo séries sem fim para esquecer o fato de que eu não tinha vocações. Não tinha talentos.

         O livro também traz crises sérias, principalmente do universo feminino, como o medo de estar sozinha nas ruas, independente do horário, receando uma abordagem negativa, um abuso, um estupro. O fato de sermos criadas para seguir um padrão de beleza, de ter a necessidade de esperar por um príncipe encantado, de ser aceita socialmente de acordo com requisitos pré-estabelecidos e que nos impedem de ser quem somos.


         Tá todo mundo mal é uma leitura que todos deveriam fazer. Aceitar que, de fato, estamos todos mal, no fim, é perceber que tá tudo bem em estar todo mundo mal. É entender que tudo bem se você teve uma crise ao descobrir que o trabalho dos sonhos não era tão bom ou que não saber lidar com críticas te dá uma crise e tanto. Tá tudo bem. O passo seguinte é entender a crise e vencê-las, pois esse é o bom das crises. Tê-las, senti-las e superá-las.

Não retirar sem os devidos créditos. 

Indicação #11 — 'O menino do pijama listrado' John Boyne;

Título: O menino do pijama listrado
Autora: John Boyne
Tradução: Augusto Pacheco Calil
Páginas: 186 páginas
Editora: Companhia das letras
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável. 

         Em mais uma narrativa envolvendo a segunda guerra mundial, O menino do pijama listrado traz uma visão diferente da retratada em O pianista, livro já indicado aqui no blog. Enquanto Wladyslaw Szpilman apresenta um relato cru e realista das ruas de Varsóvia durante o Terceiro Reich, Bruno, em sua inocência juvenil, nem mesmo percebe o caos que se encontra o mundo.



         O que mais impressiona na narrativa do livro é a ingenuidade, derivada de Bruno, personagem principal e quem recebe maior foco no enredo. Enquanto faz a leitura, quase se esquece a guerra e o holocausto, este que já era praticado e era forte razão para a mudança da família de Bruno para “Haja-Vista”. Os detalhes, porém, para a percepção da guerra como contexto são dos mais sutis ao mais explícitos – como a visita do Füher a de Bruno.

         Entediado, numa casa que é visivelmente menor que a de Berlim e que não há nada de tão grandioso para se explorar, Bruno observa pela janela um lugar distante, onde ao que parece, vivem as únicas crianças da redondeza, além dele e de Gretel, sua irmã. Todas as pessoas usavam roupas listradas, como pijamas, idênticas as que Pavel, o servente magricelo e estranho que descascava batatas, usava. Certo dia, cansado de estar em casa e lembrando-se o quanto adorava explorar, Bruno saiu decidido, seguindo a cerca que se estendia até o horizonte, cerca a qual tinha sido terminantemente proibido de ir até lá.

         É nesse ponto onde a mais linda história de amizade começa, numa caminhada mais longa do que o próprio Bruno imaginou. No capítulo 10, nomeado “O ponto que virou uma mancha que virou um vulto que virou uma pessoa que virou um menino”, o pequeno alemão chega a um lugar, cercado por arame farpado, parecido com a fazenda que vê pela janela de seu quarto. E, então, nos é apresentado Shmuel, um pequeno polonês preso no campo de concentração.

         Os dois meninos, iniciam um laço de amizade, apesar de suas diferenças. O que mais impressiona na narrativa é ingenuidade presente em ambos, mesmo diante das circunstâncias que o cercam. Como por exemplo, o momento em que descobrem que partilham a mesma data de nascimento. Bruno diz “somos como gêmeos” mesmo estando sentado em frente a uma grande cerca de arame que o dividia de seu recente amigo.

         O livro é leve, mas ao mesmo tempo, triste. Enquanto Bruno e Shmuel se divertem em uma amizade secreta e clandestina, nós do outro lado da leitura, somos atingidos pela dura realidade que os cerca, a ambição de um homem por vingança e poder que dividiu o mundo, separou famílias e matou milhões.

É possível perceber também o modo como crianças são influenciadas pelas ideologias que as cercam, pois em dados momentos, a supremacia pregada pelo nazismo é vista nos diálogos de Bruno.
[...]“Polônia”, disse Bruno, pensativo, medindo a palavra na língua. “Não é tão boa quanto a Alemanha, é?”
Shmuel franziu o cenho. “Por que não?”, perguntou ele.

“Bem, porque a Alemanha é o maior de todos os países”, respondeu Bruno, lembrando-se de algo que ouvira o pai comentar com o avô em certo número de ocasiões. “Somos superiores”.¹

         Após esta arrogância, porém, Bruno em sua mais pura inocência, percebe o quanto aquilo não parecia certo e que, a última coisa que ele desejava, era que Shmuel não gostasse de sua companhia.

         O menino do pijama listrado nos ensina sobre amor fraternal, em sua mais pura essência. Independente de cor, ideologia, classe, nacionalidade – e, neste caso, do lado da cerca.


É a amizade mais pura e verdadeira, vinda da virtude de uma criança. 


menino do pijama listrado, O; John Boyne; Tradução de Augusto Pacheco Calil - 1ª edição - São Paulo : Companhia das Letras, 2013.
Citação 1: página 100.

— Definição de amor;


Amigo... na definição dada pelo Aurélio, amigo significa “ser ligado a outra pessoa por laços de amizade; que ama, estima, aprecia”. Ao sermos questionados sobre quem são os nossos amigos, as peculiaridades de cada um vêm a nossa mente, fazendo-nos perceber que ser amigo está também nas pequenas coisas.

Amigo é aquele que empresta o carregador, mesmo quando o celular dele também está descarregado.

Amigo é aquele te manda áudios no whatsapp com mais de seis minutos para te contar um problema e ai de você se reclamar.

Amigo é aquele que empresta livros, cds, roupas e até a si mesmo quando necessário.

Amigo é aquele que topa tudo e qualquer coisa ao seu lado.... mas é claro, precisa conferir se o dinheiro dá.

Amigo é aquele que te escuta. Independente da hora, do local, da situação. Ele está lá para os seus problemas, para enxugar suas lágrimas, para te ouvir. Mesmo que não seja pessoalmente.

Amigo é aquele que te respeita. Aquele que sabe das suas limitações e não o impede de ser como é. Pelo contrário, permanece ao seu lado para que tais limitações sejam vencidas juntos.

Amigo é aquele que ama. E ama das formas mais diversas. Afinal, existem infinitas outras maneiras de dizer “eu te amo”.

“Eu vi isso e achei a sua cara”

“Tava lembrando de quando a gente viajou, lembra? Que saudade!”

“Amiga, você tá linda!”

“Sinto sua falta”

“Vem aqui em casa hoje... eu fiz bolo”

“Quer ajuda aí?”

“Se precisar de mim, eu tô aqui, tá?”

“Pode deixar que eu pago”

“Toma... leva esse livro emprestado”

“Se você quiser eu te ensino”

Ser amigo é ser do outro. É saber que a responsabilidade de fazê-lo feliz também é sua. De ajudar a carregar os fardos, a chorar, a sorrir, a correr, arriscar, é estar ao lado sempre que o outro precisar.

Afinal, amigos também se completam. E é nos momentos mais difíceis que sabemos quem realmente estará lá por nós.


“Ame o amigo em todo tempo e na hora da angústia, nasce o irmão”. Pv 17.17

Indicação #10 — 'Gelo Negro' Becca FitzPatrick;

Título: Gelo Negro
Autora: Becca FitzPatrick
Tradução: Viviane Diniz
Páginas: 302 páginas
Editora: Instrínseca
Britt Pfeiffer passou meses se preparando para uma trilha na Cordilheira de Teton com a melhor amiga, mas não estava pronta para enfrentar a violenta nevasca que as pegou de surpresa no caminho. Ao procurar abrigo em uma cabana isolada, elas conhecem dois homens atraentes e dispostos a ajudá-las. Pelo menos é isso que as duas acham. Criminosos foragidos, eles as fazem reféns. Para se salvar, Britt vai ter que ajudá-los a fugir em segurança, apesar do frio e da neve. Mas, durante a arriscada jornada em meio à natureza selvagem, o que de início é uma ameaça, pode se tornar a salvação. 

         A compra desse exemplar foi bem inusitada e não-pensada. Certo dia, ao abrir a página inicial do skoob para atualizar algumas leituras, deparei-me com um anúncio da Saraiva, indicando um livro em promoção, custando apenas DEZ REAIS. Com um nome que remetia ao suspense, uma descrição que me deixou num misto de curiosidade e receio, uma autora que, até então, eu não conhecia, a tentação foi mais forte e eu decidir comprar. Se, no fim das contas, o enredo se mostrasse ruim, eu presentearia, faria um sorteio aqui no blog, deixaria largado na estante. Então, eu me arrisquei.
        

         Já dizem que ações não-pensadas, as vezes, são as melhores, não é mesmo?



         Ao começar a narrativa, as primeiras doze páginas me deixaram tensa, agoniada, desesperada pela resolução do caso que se mostrara, em poucas páginas, incrível. Porém, ao chegar no primeiro capítulo, um preconceito quase me fez deixar a leitura de lado e concordar com meu eu do passado para largar o livro. Talvez por conta de experiências com algumas fanfics – principalmente as primeiras que escrevi e li – não simpatizo com narradores em primeira pessoa, sempre acho que deixa a desejar na abrangência de detalhes da ação e dos acontecimentos, já que se resume ao olhar de uma única personagem.

         Porém, eu ainda estava intrigada com a história de Lauren e desejosa de saber sobre o seu desfecho. Não seria uma implicância com o narrador que me faria desistir. E foi assim que, em dois dias, dormindo tarde e acordando mais cedo que o previsto, parando apenas para refeições e extremas necessidades, que eu chegaria ao fim da complexa história que ligava Britt e Lauren, duas garotas totalmente distintas, porém, com imensa bravura.

         O enredo é sensacional. Confesso que, nos primeiros capítulos, a história me pareceu adolescente demais, com problemas que não mais me agradavam em uma leitura. Mas, ao avançar nas páginas, o desenvolvimento da narrativa ganhava maturidade. Era como se o leitor amadurecesse junto de Britt, que cresceu uns cinco anos em apenas alguns dias, diante dos fatos.

         Sobre o romance: NÃO É SÍNDROME DE ESTOCOLMO. Isso martelou muito na minha cabeça, fiquei nervosa o tempo inteiro, brigando internamente comigo por causa disso. No final, percebi que estava errada e que, de fato, não era. As circunstâncias eram complicadas, nosso olhar defensivo nos faz analisar por outro ângulo. Mas é um alívio perceber que, sim, não se tratava de síndrome de estocolmo.

         A reviravolta do final é incrível, pois, assim como Britt, percebemos que as pessoas não são como dizem ser. Acho que foi essa a intenção da autora quando escolheu Britt para ser a narradora da história, assim, o leitor teria a sua perspectiva e entenderia a situação como a personagem compreendeu. Dessa forma, a reviravolta pareceu maior, mais alarmante e, é claro, melhor.


         Gelo Negro foi um investimento barato, regado de dúvidas, recheado de mistérios bem pensados e bem elaborados. Uma leitura fluída, rápida, com linguagem adequada e personagens cativantes. 

Ativadores de cachos — UmidiHair vs Seda Cocriações;

Depois de certa demora para indicar finalizadores, FINALMENTE (!) estou de volta e, ó, com dois deles. No post desta semana resolvi trazer não só uma indicação de ativador de cachos, mas também uma comparação de dois produtos que comprei como um tiro no escuro, mas que me surpreenderam, seja de modo bom ou ruim.



1 – Ativador de cachos da UmidiHair
 
Foto autoral 

Quanto paguei: R$ 9,50
Como já indiquei no post sobre cremes de tratamento, a umidiHair é uma linha bb: boa e barata. Com queratina e 12 óleos nutritivos, o produto promete definir e disciplinar os cachos, além de redução de volume. No rótulo diz ainda ser indicado para todos os tipos de cachos, crepos e volumosos. Dada a minha experiência com o creme de babosa, resolvi fazer o teste.

Bom... eu esperava mais. O produto tem um cheirinho agradável e uma consistência leve, deixando o cabelo igualmente leve quando é aplicado. Porém, a leveza se transforma em não-definição, deixando os cachos abertos demais e sem forma. O volume, que supostamente deveria ser reduzido, nada acontece. Resultado: o cabelo ficou sem forma e volumoso, parecendo que eu acabara de viajar duas horas num carro sem capô.

Também tentei usar com misturinhas, somando com outros cremes, mas não consegui o efeito desejado.

Um uso que surtiu certo efeito foi utilizar do creme apenas para amassar os cachos, seja após a lavagem ou no day after. Mas, na verdade, foi para quebrar um galho.

2 – Seda Cocriações Cachos definidos
 
Foto autoral
Quanto paguei: R$ 7,30
Já de início, o rótulo promete efeito fitagem e cachos super definidos o dia todo. Cocriado pela expert em cachos, Quidad, de Nova Iorque, o produto promete fios hidratados, controle de frizz, volume “certo” e cachos definidos por 72h. Há certo tempo que eu não confio muito nos produtos da Seda, já tinha usado anteriormente quando ainda alisava o cabelo e não gostava do resultado, principalmente nas pontas. Mas eram épocas de vacas magras, o preço estava bom e eu já estava desiludida com outros ativadores que eu tinha usado por muito tempo e já não fazia mais efeito. Bom, comprei.

E ADOREI. Usei a primeira vez com o shampoo e condicionador Recarga Natural: Pureza Refrescante também da seda (que logo menos terá sua resenha também) e utilizei sozinho na fitagem e para amassar. Inicialmente, o cabelo fica um pouco pesado e confesso que eu já estava desestimulada achando que tinha errado a mão na escolha do produto de novo, mas não, os cachos ficaram TÃO definidos que o meu cabelo aparentava estar menor. Mesmo no day after, o cabelo não apresenta tanta diferença, basta passar um óleozinho ou até mesmo o próprio ativador que o efeito será maravilhoso.

Resultado: o produto já está acabando e eu estou economizando ao máximo até comprar outro HAHA

Bom, vamos as comparações?



Bom, de longe, dá para notar quem é o vencedor de hoje.
Espero que tenha gostado do post e que tenha sido útil.

Já usou algum dos produtos citados acima? E aí, o que achou? Diz aí. :D 

Opinião — série Dear White People;

ATENÇÃO: O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS


         Baseada no filme homônimo de 2014 e tendo a primeira temporada lançada no final do mês passado pela netflix, Dear White People ou Cara Gente Branca, não teve tanta repercussão nas redes sociais, ao menos, se comparado com a estreia de 13 reasons why, no final de março.



         Tendo racismo como tema principal abordado na série, Dear White People traz em sua primeira temporada dez episódios com um humor ácido e, ao meu ver, critica os dois lados extremos quando se trata deste assunto. Um exemplo de humor que aborda o tema da mesma forma, foi o discurso de Chris Rock na 88ª cerimônia do Oscar, em 2016.

         Ao contrário da maioria das produções americanas, 90% do elenco é negro e os problemas tratados são ligados a estes. Um exemplo disso é a discussão sobre quem está mais acordado ou não para as tensões raciais dentro da universidade de Winchester, cenário da trama. Há ainda a discussão sobre quem se parece mais negro ou não, diante das roupas e estilo, por exemplo. Coco (Antoinette Robertson) traz em uma de suas falas a seguinte reflexão: “Não importa se está acordado ou não, se você estiver morto” sobre o caso de um segurança da faculdade ter apontado uma arma para Reggie (Marque Richardson).

         Apesar de se encaixar na categoria de comédia, a série também possui o seu drama, fazendo chorar em diversos momentos de racismo, puro ou velado. A cena citada acima, quando o policial pergunta a Reggie se é aluno da universidade, mas não faz a mesma pergunta ao outro rapaz, que é branco, envolvido no incidente é uma delas. A tensão em toda a festa, a arma apontada em um negro, unicamente pela sua cor, o discurso do policial logo em seguida, enfatiza que mesmo após 200 anos de escravidão nos EUA, o pensamento racista ainda existe e é extremamente forte.

         O ponto de partida para o desenrolar da trama é a festa blackface (“rosto preto” ação de pintar o rosto para se assemelhar a negros, muito comum no início do cinema, na não-contratação de atores negros). A festa se intitula “Dear Black People” e tem como objetivo, segundo os organizadores, homenagear os alunos negros da universidade. Para Samantha White, ou Sam (Logan Browning) e para a maioria das pessoas com bom-senso, a festa é o ponto alto do racismo existente dentro da universidade.

         A série aborda ainda o privilégio da pele mais clara, os negros mais “desbotados” como dizem alguns, até mesmo o privilégio dos alunos negro-americanos, já que a Universidade também possui alunos vindos do Quênia, por exemplo. Além de problemas como sexualidade, tensão acadêmica, problemas da juventude, além do polêmico relacionamento inter-racial, ainda visto como um grande problema pela sociedade americana.

         Dear White People está há nove dias no ar e, apesar da pouca repercussão nas redes sociais, já recebeu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, site que é destinado a reunir textos de críticos de séries e de filmes dos principais veículos especializados, e faz uma média numérica baseada nas avaliações positivas ou negativas feitas pela imprensa, segundo o Adoro Cinema. Apesar disso, ainda falta muito para que o público branco perceba suas próprias falhas refletidas nos personagens brancos da série. Apesar de, aparentemente, ter sido fácil para o público em geral identificar seus erros referentes ao bullying ao assistir 13 reasons why, ao que parece, o mesmo não acontece quando se trata de racismo.

         Se ainda não assistiu Dear White People, bem, a hora é agora. Esteja ciente do que vem por aí e, antes de pensar que isso ou aquilo é vitimismo ou autossegregação, pense nos seus próprios privilégios, pense em tudo que você já conseguiu por ser branco.


Pense em tudo aquilo de ruim que você deixou de vivenciar por ser branco. 

Edit:
Confiram o vídeo do canal Coxinha Nerd falando justamente do silenciamento da internet sobre a série e o vídeo do canal DePretas, da Gabi, falando sobre a série com conhecimento de causa e vivência: 




Indicação #9 — 'Para Sir Phillip, com amor' Julia Quinn;

Título: Para Sir Phillip, com amor
Autora: Julia Quinn
Tradução: Viviane Diniz
Páginas: 286 páginas
Editora: Arqueiro
Eloise Bridgerton é uma jovem simpática e extrovertida, cuja forma preferida de comunicação sempre foram as cartas, nas quais sua personalidade se torna ainda mais cativante. Quando uma prima distante morre, ela decide escrever para o viúvo e oferecer as condolências. Ao ser surpreendido por um gesto tão amável vindo de uma desconhecida, Sir Phillip resolve retribuir a atenção e responder. Assim, os dois começam uma instigante troca de correspondências. Ele logo descobre que Eloise, além de uma solteirona que nunca encontrou o par perfeito, é uma confidente de rara inteligência. E ela fica sabendo que Sir Phillip é um cavalheiro honrado que quer encontrar uma esposa para ajudá-lo na criação de seus dois filhos órfãos. Após alguns meses, uma das cartas traz uma proposta peculiar: o que Eloise acharia de passar uma temporada com Sir Phillip para os dois se conhecerem melhor e, caso se deem bem, pensarem em se casar? Ela aceita o convite, mas em pouco tempo eles se dão conta que, ao vivo, não são bem como imaginaram. Ela é voluntariosa e não para de falar, e ele é temperamental e rude, com um comportamento bem diferente dos homens da alta sociedade londrina. Apesar disso, nos raros momentos em que Eloise fecha a boca, Phillip só pensa em beijá-la. E cada vez que ele sorri, o resto do mundo desaparece e ela só quer se jogar em seus braços. Agora os dois precisam descobrir se, com todas as suas imperfeições, foram feitos um para o outro. 

         A história da quinta filha de Violet Bridgerton é uma pequena demonstração de muitas da nossa época, com a ascensão das redes sociais. O que, de certa forma, combina totalmente com a personalidade de Eloise, conhecida por sempre se meter onde não deve e de possuir uma curiosidade tamanha pela vida dos outros.




         Sua paixão pela escrita de cartas lhes rende manchas de tinta nos dedos e nas roupas, o que levanta certas dúvidas de seus irmãos, afinal, para quem Eloise tanto escreve? Seu destinatário, porém, permanece em segredo do restante da família Bridgerton até a noite que a mulher some misteriosamente e, como era de seu feitio, deixa uma carta explicando o seu paradeiro.

         Agora, pense comigo: Eloise realmente desconhece a personalidade protetora de seus irmãos ou simplesmente decidiu ignorar?

         No quinto livro da série a diversão é garantida. Eloise Bridgerton e Phillip Crane se deixam levar pelas impressões causadas na correspondência trocada, iludindo-se nas características agradáveis que cada um apresenta. Pessoalmente, porém, seus piores defeitos e traços de personalidade marcantes mostram suas faces, fazendo-os perguntar a si mesmos se valeria a pena estarem juntos. Phillip ainda precisa lidar com o fato da mulher apresentar uma beleza estonteante, afinal, ela tinha 28 anos e permanecia solteira. A lógica lhes dizia que aparência não seria o seu ponto mais forte, porém, a lógica masculina se mostrou errada. Já Eloise, por sua vez, mostra-se frustrada ao perceber em Phillip um homem do campo, calado, sem muitos modos.

         Ah, é claro! Dois pequenos problemas denominados Amanda e Oliver – e não mencionados nas cartas de Sir Phillip, diga-se de passagem – marcam presença nas páginas do livro tornando-o ainda mais divertido, pelo menos, para toda e qualquer pessoa que não fosse Eloise Bridgerton.

         Para Sir Phillip, com amor traz no enredo a importância de se amar, inclusive, os defeitos do outro. A história de Eloise e Phillip apresenta, também, a construção de relação com base em confiança e cumplicidade, pois ambos aprendem a lidar com o temperamento do outro e a ensinar, um ao outro, a melhor maneira de superar traumas e angústias.


         E não vamos esquecer, é claro, da melhor cena de ciúmes e chilique dada pelos três mais velhos Bridgertons e o caçula dos homens. Gregory, pobre criança, realmente acha que pode bancar o protetor com sua irmã cinco anos mais velha?

Indicação #8 — 'Os Segredos de Colin Bridgerton' Julia Quinn;

Título: Os Segredos de Colin Bridgerton
Autora: Julia Quinn
Tradução: Cláudia Guimarães
Páginas: 335 páginas
Editora: Arqueiro
Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons há muitos anos. E  alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres. Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum. Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente. No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

         Quando descobrimos Colin Bridgerton, ainda nas primeiras páginas de O Duque e eu, já era de se esperar que o anseio para conhecer a história do mais divertido dos homens Bridgertons seria dos grandes. Assim, ao finalmente chegar em seu livro e me deparar com a ideia de que o terceiro dos filhos de Violet guardava segredos, tal anseio só cresceu.

         Colin Bridgerton, o solteiro mais cobiçado e dono do par de olhos verdes mais apaixonantes de Londres guardava um segredo. E só essa ideia já era desejável o suficiente para que as páginas do livro fossem praticamente devoradas em poucos dias.



         O quarto livro da série é uma história que já estamos, de certa forma, acostumadas. A típica garota mais nova apaixonada pelo irmão mais velho de sua melhor amiga. É possível notar sinais desta paixão de Penelope já no livro anterior, em uma desconcertante situação onde a moça aparece no lugar errado e na hora errada, ouvindo a frase errada que nunca deveria ter adentrado seus ouvidos.

         Como se já não bastasse o platonismo que envolve a pobre Penelope e sua devoção por Colin, a garota é sempre alvo de críticas da sociedade como um todo – e, principalmente, de Lady Whistledown – diante da falta de bom-senso de sua mãe ao fazê-la usar vestidos que não combinavam com seu tom de pele e que só realçavam suas falhas. Além disso, a moça debutou cedo demais, quando ainda tinha espinhas no rosto e sobrepeso. Logo, sua imagem perante a população londrina não era uma das melhores.

         Assim, era de se esperar que seria uma solteirona. Agora, aos 28 anos, porém, a mulher já não possuía marcas de puberdade no rosto, além de ter aderido um senso de humor único e afiado. Conformada com sua condição de solteira, Penelope Feartherington aceitava o fato de ser uma grande amiga de seu amado, já que Colin tinha retornado de suas viagens pelo mundo e apreciava sua companhia. Parecia o bastante, pois era óbvio que ele nunca se interessaria por ela a ponto de pedi-la em casamento. Logo, uma amizade além da condescendência já estava de bom tamanho.

         Mas, era realmente tão óbvio assim?

         Talvez não.

         Os Segredos de Colin Bridgerton traz uma reflexão sobre maturidade. Para a época, a melhor idade para uma mulher se casar era entre os 16 e 21 anos, tempos conturbados para todos, mas, principalmente para as moças, já que os homens eram cobrados para o matrimônio apenas depois dos 30. Neste livro, não só é passada a clássica e clichê ideia de que o patinho feio pode se tornar um belo cisne, como também a de que a maturidade é um ponto importante para uma relação. Além de, claro, tratar a construção de uma amizade sólida e forte como ponto de partida para um amor profundo e duradouro, algo ainda novo, em comparação com as histórias anteriores.

         Ah, o segredo, é claro! Bem, só lendo para descobri-lo. Mas, Colin Bridgerton não é o único em Londres a manter certas coisas escondidas.

         Afinal, o que todos se perguntam a mais de onze anos:

         Quem está por trás das crônicas ácidas de Lady Whistledown?

O ócio é bom;


Quando crianças e adolescentes, o que mais almejamos é a tão sonhada vida adulta. Independência. Ser dono do próprio nariz.

Crescemos e, alguns de nós, recebemos o balde de água gelada ao nos depararmos com grandes responsabilidades, cargas horárias de trabalho exaustivas, afazeres domésticos, contas a pagar, um projeto ou outro por fora, um freela, tudo para conseguirmos nos manter estáveis economicamente falando.

Alguns de nós, porém, o que totalmente não é o meu caso, conseguem ter uma vida ainda mais agitada do que a citada acima. Mesmo com tantas obrigações, ainda é possível manter-se saudável, frequentando academias, tendo um bom lazer nos fins de semana, viagens, alguns, inclusive, suportam mais de um emprego para que assim mantenham suas vidas recheadas de agitação.

Esses alguns, entretanto, são muitos.
E suas vidas agitadas recaem sobre nós, não-tão-agitados assim e, em dado momento, nos fazem sentir culpados por não levarmos uma vida repleta de afazeres com todas as horas preenchidas. Nós, que optamos por uma vida com mais horas de sono nos intervalos, somos questionados, pois, decidimos dormir. Somos questionados por estar em casa num domingo a noite, quando todos os outros, os agitados, estão festejando.

Assim, nos sentimos culpados.
Culpados por optar pelo descanso, mental e físico.

O problema não está na vida que cada um leva, mas sim na liberdade de cada um segui-la.
O ócio é bom. Finalmente admitimos.
O ócio de estar em casa, tomar um banho prolongado e descansar, deleitando-se na ideia de que não há hora para acordar no sábado, é bom.

Nós, os não-agitados, precisamos parar de nos sentir culpados por não levar uma vida com mais horas marcadas e menos horas de sono. Precisamos entender que não somos fracassados por desejar dormir, por nos sentir cansados.

É preciso estar ciente que o objetivo de vida varia de cada pessoa. E, se ao deitar-se em sua cama e fechar os olhos, você se sente bem ao dar um longo suspiro e adormecer, não há problema nisso.


Mais uma vez, o ócio, na dose certa, é bom. E não há nada de errado em apreciá-lo. 

Opinião ― série 13 reasons why;

ATENÇÃO: Como já dito no título deste post, o texto a seguir se trata de uma OPINIÃO.

Tendo grande repercussão desde a sua estreia, em 31 de março, 13 reasons why ou os 13 porquês, lançada pela netflix e baseada nos livros de Jay Asher, é, atualmente, a série mais comentada no twitter. Tendo como tema principal bullying e suicídio, duas vertentes bastantes polêmicas, a série tem dividido opiniões acerca da real mensagem passada para seus espectadores.


Fonte: Internet/reprodução


O que diz a sinopse?

A série gira em torno de Clay Jensen, um estudante tímido do ensino médio, que encontra uma caixa na porta de sua casa. Ao abri-la, ele descobre que a caixa contém sete fitas cassete gravadas pela falecida Hannah Baker, sua colega que cometeu suicídio recentemente. Inicialmente, as fitas foram enviadas para um colega, com instruções para passá-las de um estudante para outro. Nas fitas, Hannah explica para treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze motivos que explicam porque ela se matou. Hannah deu uma cópia das fitas para Tony, um de seus colegas da escola, que avisa para as pessoas que, se elas não passarem as fitas, as cópias vazarão para todo mundo, o que poderia levar ao constrangimento público e vergonha de algumas pessoas, enquanto outros poderiam ser ridicularizados ou presos. / Fonte: Wikipedia

A mulher no ponto de ônibus;


Era meio de semana, uma amiga e eu tínhamos ido ao shopping por algum motivo que não me lembro. Paradas no ponto de ônibus, a tarde se despedia dando lugar a escuridão da noite, iluminada pelas fortes lâmpadas da extensa avenida.

Fazia cerca de quinze minutos que estávamos lá, rodeadas de pessoas que não conhecíamos, quando uma mulher em particular me chamou a atenção. Baixa, aparentava ter mais de quarenta anos, negra. Os cabelos encaracolados, crespos, estavam curtinhos, o que me levou a teoria de que tinha assumido as madeixas naturais recentemente. Ao vê-la, eu sorri. A mulher, notando o meu sorriso em sua direção, retribuiu com a mesma alegria, porém, com confusão em seus olhos. Talvez se perguntava de onde me conhecia ou se me conhecia.

O fato é que nunca tínhamos nos visto na vida. O sorriso que direcionei à ela era o mesmo que eu abria ao notar toda e qualquer cacheada, em qualquer lugar. Naquele momento específico, meu sorriso tinha muito mais que felicidade ao ver uma mulher, com o dobro da minha idade, usando seus cabelos naturais – e sem vergonha disso.

O meu sorriso demonstrava admiração. Satisfação.

A aceitação tinha rompido mais uma barreira: a da idade. Quando iniciei meu processo de transição, ouvi muitas mulheres mais velhas dizerem que isso “era coisa de jovem”. Que para elas, já àquela altura, não fazia o menor sentido tentar reverter processos químicos. Assim, quando virei o rosto por puro costume e notei aquela mulher caminhar em direção ao mesmo ponto de ônibus que eu estava, a presença dela indicava muito mais do que outra cacheada num mundo de preconceitos e racismo.

A presença dela indicava mais uma geração engajada no amor próprio.
A presença dela indicava que nunca era tarde demais para se aceitar.

Saí do meu devaneio quando a mulher em questão veio até mim perguntar se determinado ônibus já havia passado, eu respondi que não. Logo em seguida, lhes falei que seu cabelo era muito bonito, ela sorriu largo o suficiente para se tornar em gargalhadas.

“O seu é mais”, ela respondeu. Acompanhei suas risadas e lhes disse que isso não era verdade, que ambas as cabeleiras eram lindas e únicas ao seu modo.

O ônibus que ela esperava chegou, a mulher saiu e eu a acompanhei. Ao chegar próximo as escadas, ela se virou e se despediu de mim. Com um aceno e um sorriso pequeno, retribui.

E, de maneira tão simples, aquela mulher me fez feliz. Fez-me realizada pelo que temos lutado, pelo que tanto pregamos nas redes sociais, nas ruas, nas rodas de conversas, na nossa existência.


Que mulheres negras devem ser livres para se amarem como são.