Resenha #45 — 'Eleanor & Park'; Rainbow Rowell

Eleanor e Park Rainbow Rowell
Título: Eleanor & Park 
Autora: Rainbow Rowell
Páginas: 287 páginas
Editora: Novo Século
Sinopse:Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e The Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo. 

Eu e meu pré-conceito com livros adolescentes relutamos muito em ler este livro. Diversas foram as vezes que vi o exemplar pelas livrarias, físicas ou online, cheguei até a segurar um tempo na espera da fila, mas devolvi as prateleiras. E foi uma indicação de Leandro de Lira, lá no Instagram (confere o perfil dele aqui) que eu tomei coragem e levei o livro pra casa (e por apenas dez reais!).


Eleanor é uma garota nova na cidade que só quer passar despercebida pelas figuras do ensino médio e viver a sua vida. Seus cabelos ruivos e sua excentricidade ao se vestir a impedem de ser apenas só mais uma e, já em seu primeiro dia no ônibus, passa por um problema pequeno que se torna um espetáculo: um lugar para se sentar. Park, por sua vez, tendo o mesmo desejo de Eleanor, isto é, passar despercebido e seguir sua vida, acaba tendo seu primeiro contato com a garota nova ao praticamente se ver obrigado a deixa-la sentar ao seu lado. Obrigado porque, bem, o seu convite não foi nada convidativo.

As idas e vindas lado a lado no ônibus, as aulas de literatura e a curiosidade de ambos faz surgir uma amizade improvável. Apesar dos constantes silêncios iniciais, o constrangimento, o arrependimento das palavras duras de antes, a impossibilidade de alguém querer ser seu amigo, ao ver de Eleanor, eles se dão bem. E, como era esperado, a amizade evolui.



Gosto do estilo narrativa, uma espécie de “pingue-pongue”, variando o foco entre os personagens que dão nome a obra, sem necessariamente mudar o narrador. A leitura é leve e rápida, sem deixar de oferecer momentos intensos e propícios para reflexão, principalmente diante da realidade vivida por Eleanor, próxima de boa parte das crianças e adolescentes: pais divorciados, vários irmãos e as finanças não sendo as melhores. Além de um padrasto que, visivelmente, não merece a mulher incrível que é sua mãe – e todas as coisas que ela abdica para ter “um homem em casa”.


Não há algo de grandioso no enredo, isto é, um plotwist absurdo e coisas de grande impacto. E talvez seja isso que faz o livro ser tão bom, ao meu ver. As personagens enfrentam problemas comuns e cotidianos, tais como: gordofobia, divisão de classes, inseguranças amorosas, problemas em casa, e uma discussão bem rasa sobre raça, voltada para pessoas de descendência asiática – pois Park tem mãe coreana e pai americano (branco).

Em alguns momentos, confesso que achei a Eleanor um pouco dramática demais. Porém, diante de todo o seu contexto familiar, as inseguranças com o corpo e a própria beleza (que são intensificadas por motivos de: ensino médio sendo o ensino médio) em contraste com a estabilidade financeira e familiar de Park, sua – não tão grande – popularidade, é de se compreender. Além do mais, são adolescentes. Dramas são, basicamente, o alicerce da vida adolescente, não é mesmo? HAHA 


Os problemas apresentados no livro são reais e isso é o que faz especial. Se você deseja um enredo extremamente complexo e com final clichê, este livro Park não é para você. Eleanor & Park é leve, mas ao mesmo tempo intenso. Adolescente, mas não deixa de ser maduro, também. Fofo, mas também... imperfeito. É um lembrete nostálgico do primeiro amor, dos dramas da adolescência, das imperfeições da vida.  

E, como eu já disse, é onde está a graça da coisa.

E aí, já leu o livro? Gostou da resenha?
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3 comentários

  1. Olá! Esse livro está na minha lista para ler em 2020, não sei se conseguirei pelos projetos que preciso cumprir. Gostei muito da capa e da forma que escreveu a resenha.
    Beijocas.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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    1. Oi, Vanessa! Espero que consiga ler o livro esse ano, pois é uma leitura muito boa! Fico feliz que tenha gostado da resenha. :)

      Beijos

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