Foto: tumblr

         Muita coisa nos é ensinada ao longo da vida de forma bem contraditória. Somos ensinados, por exemplo, que existem dois estágios na vida: ou você está muito ferrado ou você está transbordando felicidade. E isso se aplica a toda e qualquer situação.

         Ou o seu namoro é um completo fracasso ou é um relacionamento tão perfeito que daria um filme.

Ou o seu curso é um completo lixo e não vale a pena termina-lo ou é o melhor, 100% compatível com você.

Ou o seu emprego é uma merda que te adoece ou o emprego dos sonhos, com um salário incrível.

Ou são 8 ou são 80.

E é complicado quando, ao nos depararmos com as situações acima (ou com qualquer outra) e percebemos que nada faz sentido e que, na prática, é completamente diferente, não sabemos como lidar.

É frustrante, na verdade.

Porque um namoro perfeito pode ser superficial. Pode não haver diálogo, amor de verdade.

Porque um curso 100% compatível, às vezes, frustra ao tirar uma nota inferior ao esperado. Ao não ser tão boa numa disciplina que, aparentemente, era a SUA cara.

Porque o emprego dos sonhos também pode estressar – e bastante!

O emprego dos sonhos, na verdade, pode nem existir.

E, assim, nós não sabemos lidar com o meio-termo. Nós não sabemos compreender que existem altos e baixos, problemas em situações confortáveis, dias tranquilos em situações conturbadas. Ou entender que pode existir o melhor que o pior já enfrentado, mas ainda assim, não melhor o bastante.

O meio termo é, de fato, um pé no saco.

Mas às vezes é um aprendizado.

É só entendermos que ele existe. E que está tudo bem passar por ele, desde que não nos conformemos. “Já esteve pior antes”, não quer dizer que está bom, não nos enganemos. Mas lutemos para que o melhor chegue.

Sabendo que até o melhor dos melhores, às vezes, também é um pé no saco.

Escrito originalmente em 10 de julho de 2018