Apenas Fugindo no “Versatile Blogger Award";

Olá, olá! É com extrema felicidade que trago este post. O blog Apenas Fugindo  foi indicado ao " Versatile Blogger Award" pelo Diogo Souza, do blog Cara do Espelho. Quando coisas do tipo acontecem, dá até um frescor no lado esquerdo peito, ao saber que o meu trabalho está sendo reconhecido.  



O Versatile Blogger Award, é uma iniciativa para blogueiros destacarem o trabalho de outros blogueiros, numa espécie de troca, para incentivar ainda mais os blogueiros a criarem conteúdos com qualidade e se manterem ativos, o que todos nós sabemos que é um desafio e tanto.

Assim que se é indicado, é preciso cumprir algumas etapas. Então vamos lá?

Agradecer à pessoa que lhe concedeu o prêmio
Meu amigo, muito obrigada pela indicação. Você sabe o quanto tem importância na existência e manutenção do meu espaço, afinal, sua determinação e garra em se manter ativo vieram até mim. Sabe que te amo. 

Mencionar o blog da pessoa que lhe concedeu o prêmio
http://caradoespelho.blogspot.com.br 

Selecionar 15 blogs para também receberem o prêmio:

1. Tips and Confessions - http://tipsnconfessions.blogspot.com.br/ 
2. Dá-me um livro - http://da-meumlivro.blogspot.com.br/
3. Loucura por leituras - http://loucura-por-leituras.blogspot.com.br/ 
4. Blog Giovanna Sabrine - http://giovannasabrine.com.br/
5. Blog Joyce Alves - http://jjoycealves.blogspot.com.br/
6. Aquela velha epifania - http://aquelavelhaepifania.blogspot.com.br/
7. Mariollla - http://www.mariollla.com/
8. Notas mentais para um dia qualquer -  http://notasmentaisparaumdiaqualquer.blogspot.com.br/
9. O diário de uma escritora iniciante - http://odiariodeumaescritorainiciante.blogspot.com/
10. Versos da Alma - http://v3rsosdaalma.blogspot.com.br/
11. Lírios ao Mar - liriosaomar.blogspot.com.br/
12. Balaio de Babados - https://balaiodebabados.blogspot.com.br/
13. Penúltima Janela - http://penultima-janela.blogspot.com.br/
14. Coruja sem asas - http://www.corujasemasas.com.br/
15. Natureza Literária - http://naturezaliteraria.blogspot.com.br/

Contar à pessoa que me indicou, sete coisas sobre mim:

1. Tenho asma, alergia, bronquite e rinite.
2. Sendo assim, não posso ter NENHUM animal de estimação e isso é bem triste.
3. Moro só com o meu pai.
4. Aceitei meus cabelos cacheados há pouco tempo.
5. Sou apaixonada por cupcakes.
6. Minha saga literária favorita é Desventuras em Série ❤
7. Ultimamente, desenvolvi interesse e habilidade por coisas estilo do it yourself e quero reaproveitar TUDO que vejo.

Gostou? Deixe seu comentário!

Indicação #12 — 'Tá todo mundo mal' Jout Jout;

Título: Tá todo mundo mal
Autora: Jout Jout
Páginas: 196 páginas
Editora: Companhia das letras
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, ou Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De voltar frustrada das festas da adolescência por não ter encontrado o príncipe prometido por sua mãe a não fazer a menor ideia de que carreira seguir. Neste primeiro livro, ela reuniu suas "melhores" angústias em textos tão espirituosos e iluminadores quanto os vídeos do seu canal no YouTube. Família, corpo, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar ou mesmo o que fazer com os sushis que sobraram no jantar são algumas das questões que ela levanta e com as quais todos nós podemos nos identificar e até nos confortar - pois nada como conhecer uma crise alheia para aliviar nossas próprias neuras. 

         Antes mesmo de levar pedradas, aviso que eu também tinha certo receio com os livros de youtubers. Na verdade, ainda tenho. Quando Jout Jout anunciou que estava preparando o seu, confesso que torci o nariz, pois, para mim youtubers e literatura deveriam se unir, apenas, quando se tratava de resenhas e indicações de leitura. Porém, quanto mais eu acompanhava o canal dela e percebia os assuntos do cotidiano, polêmicos ou não, mais eu percebia o quanto um livro dela não seria, de todo modo, ruim.

Eu adorei a diagramação do livro e esse contraste do amarelo com preto!


         Acontece que eu acertei quando deixei meu pré-conceito de lado e resolvi ler Tá todo mundo mal, que inclusive ganhei de natal, num amigo secreto (boa escolha, primo). Com quarenta e seis crônicas curtas, o livro possui leitura leve, além de relativamente poucas páginas, ou seja, dá para ser lido em um único dia e nem perceber a hora passar. Todas iniciam os nomes com “A crise de” e algumas delas podem ser interpretadas como situações banais, mas, ao lê-las e entendê-las, surgem reflexões que nos levam a pensar nossas vidas, escolhas – e, é claro, crises.

         É incrível como, muitas das crônicas, trazem a seguinte frase a tona: Eu achava que isso só acontecia comigo! Um bom exemplo disso é “A crise da ausência de talentos” (p. 72), onde retrata o pensamento que já rondou todos nós ao sermos rodeados de pessoas que desenham, pintam, tocam algum instrumento, fazem maquiagem perfeitamente bem, ama cálculos e etc. No nosso íntimo, mesmo que não seja demonstrado, isso nos afeta, pois, nos vemos isentos de um diferencial, de algo que nos torne únicos como são os nossos amigos.

A questão é que, enquanto todo mundo parecia ter uma verdadeira vocação, ou pelo menos alguma facilidade para alguma coisa, eu me via em frente a um computador assistindo séries sem fim para esquecer o fato de que eu não tinha vocações. Não tinha talentos.

         O livro também traz crises sérias, principalmente do universo feminino, como o medo de estar sozinha nas ruas, independente do horário, receando uma abordagem negativa, um abuso, um estupro. O fato de sermos criadas para seguir um padrão de beleza, de ter a necessidade de esperar por um príncipe encantado, de ser aceita socialmente de acordo com requisitos pré-estabelecidos e que nos impedem de ser quem somos.


         Tá todo mundo mal é uma leitura que todos deveriam fazer. Aceitar que, de fato, estamos todos mal, no fim, é perceber que tá tudo bem em estar todo mundo mal. É entender que tudo bem se você teve uma crise ao descobrir que o trabalho dos sonhos não era tão bom ou que não saber lidar com críticas te dá uma crise e tanto. Tá tudo bem. O passo seguinte é entender a crise e vencê-las, pois esse é o bom das crises. Tê-las, senti-las e superá-las.

Não retirar sem os devidos créditos. 

Indicação #11 — 'O menino do pijama listrado' John Boyne;

Título: O menino do pijama listrado
Autora: John Boyne
Tradução: Augusto Pacheco Calil
Páginas: 186 páginas
Editora: Companhia das letras
Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável. 

         Em mais uma narrativa envolvendo a segunda guerra mundial, O menino do pijama listrado traz uma visão diferente da retratada em O pianista, livro já indicado aqui no blog. Enquanto Wladyslaw Szpilman apresenta um relato cru e realista das ruas de Varsóvia durante o Terceiro Reich, Bruno, em sua inocência juvenil, nem mesmo percebe o caos que se encontra o mundo.



         O que mais impressiona na narrativa do livro é a ingenuidade, derivada de Bruno, personagem principal e quem recebe maior foco no enredo. Enquanto faz a leitura, quase se esquece a guerra e o holocausto, este que já era praticado e era forte razão para a mudança da família de Bruno para “Haja-Vista”. Os detalhes, porém, para a percepção da guerra como contexto são dos mais sutis ao mais explícitos – como a visita do Füher a de Bruno.

         Entediado, numa casa que é visivelmente menor que a de Berlim e que não há nada de tão grandioso para se explorar, Bruno observa pela janela um lugar distante, onde ao que parece, vivem as únicas crianças da redondeza, além dele e de Gretel, sua irmã. Todas as pessoas usavam roupas listradas, como pijamas, idênticas as que Pavel, o servente magricelo e estranho que descascava batatas, usava. Certo dia, cansado de estar em casa e lembrando-se o quanto adorava explorar, Bruno saiu decidido, seguindo a cerca que se estendia até o horizonte, cerca a qual tinha sido terminantemente proibido de ir até lá.

         É nesse ponto onde a mais linda história de amizade começa, numa caminhada mais longa do que o próprio Bruno imaginou. No capítulo 10, nomeado “O ponto que virou uma mancha que virou um vulto que virou uma pessoa que virou um menino”, o pequeno alemão chega a um lugar, cercado por arame farpado, parecido com a fazenda que vê pela janela de seu quarto. E, então, nos é apresentado Shmuel, um pequeno polonês preso no campo de concentração.

         Os dois meninos, iniciam um laço de amizade, apesar de suas diferenças. O que mais impressiona na narrativa é ingenuidade presente em ambos, mesmo diante das circunstâncias que o cercam. Como por exemplo, o momento em que descobrem que partilham a mesma data de nascimento. Bruno diz “somos como gêmeos” mesmo estando sentado em frente a uma grande cerca de arame que o dividia de seu recente amigo.

         O livro é leve, mas ao mesmo tempo, triste. Enquanto Bruno e Shmuel se divertem em uma amizade secreta e clandestina, nós do outro lado da leitura, somos atingidos pela dura realidade que os cerca, a ambição de um homem por vingança e poder que dividiu o mundo, separou famílias e matou milhões.

É possível perceber também o modo como crianças são influenciadas pelas ideologias que as cercam, pois em dados momentos, a supremacia pregada pelo nazismo é vista nos diálogos de Bruno.
[...]“Polônia”, disse Bruno, pensativo, medindo a palavra na língua. “Não é tão boa quanto a Alemanha, é?”
Shmuel franziu o cenho. “Por que não?”, perguntou ele.

“Bem, porque a Alemanha é o maior de todos os países”, respondeu Bruno, lembrando-se de algo que ouvira o pai comentar com o avô em certo número de ocasiões. “Somos superiores”.¹

         Após esta arrogância, porém, Bruno em sua mais pura inocência, percebe o quanto aquilo não parecia certo e que, a última coisa que ele desejava, era que Shmuel não gostasse de sua companhia.

         O menino do pijama listrado nos ensina sobre amor fraternal, em sua mais pura essência. Independente de cor, ideologia, classe, nacionalidade – e, neste caso, do lado da cerca.


É a amizade mais pura e verdadeira, vinda da virtude de uma criança. 


menino do pijama listrado, O; John Boyne; Tradução de Augusto Pacheco Calil - 1ª edição - São Paulo : Companhia das Letras, 2013.
Citação 1: página 100.