CRÔNICA | Evoluindo

12:00

Foto: tumblr


          A vida é uma eterna evolução, em todos os sentidos. O que quer que façamos, aperfeiçoamos com o tempo, é um fato.

No fim de semana, em meio a um momento de tristeza e falta de ânimo, a leitura de fanfics me veio a mente, como uma tentativa de passar o tempo que, dadas as circunstâncias, parecia parado. Como de costume em momentos do tipo, procurei por histórias já lidas, assim, não perderia tempo procurando ou me decepcionando com enredos ruins.

Após algumas leituras, me vi pensando em minhas próprias histórias e vim até o blog procurar por algo que pudesse ler e, até mesmo, ter uma auto-crítica do conteúdo que produzo. Foi quando as primeiras histórias escritas por mim vieram a mente.

Não sei como acontece com a maioria dos escritores, mas falando por mim, tenho certa vergonha de alguns enredos por mim feitos, chegando a evitar a leitura – até mesmo a existência dos arquivos, tendo uma pasta para os textos que me constrangem.

Mas, desta vez, eu quis ler.

Desta vez, a história parecia divertida, clichê como era, mas cômica. Percebi que, apesar de já saber de tudo que continha ali, eu ria, negava com a cabeça com as maluquices da protagonista, vibrava quando ela conseguia o que queria.

Foi então que, reflexiva como os momentos de tristeza me deixavam, percebi que não havia razão para me constranger com tais textos e histórias, afinal, cada conto, crônica e enredo vai de acordo com sua vivência e experiência para com o assunto tratado. Se hoje, escrevo sobre departamentos jornalísticos, casais durante a segunda guerra mundial e dramas familiares – e tenho sucesso com isso, é porque tive e tenho base para tais assuntos.

Logo, para a época, a idade e o público ao qual minhas primeiras histórias eram dirigidas, tenho plena certeza de que eram ótimas e que fizeram muitas pessoas rir.

Afinal, se a Thiarlley de 2011 conseguiu que a Thiarlley de 2017, em meio a uma forte tristeza, gargalhasse em uma leitura, alguma coisa tem que significar.

Muita coisa.

Escrito originalmente em 26 de junho de 2017. 

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1 comentários

  1. Oh, sim. A vergonha dos escritos antigos, haha. Eu não sei se te contei, mas uma vez, acho que foi por volta de 2010, eu decidi que iria "recomeçar" como escritora e que para isso, eu precisava destruir tudo o que tinha escrito anteriormente. Tudinho. E foi o que eu fiz: eu deletei todos os arquivos, depois excluí da lixeira para garantir. Eu excluí todas as minhas fanfics da internet (bom, todas as que pude; algumas permaneceram em um site em que não era permitido editar ou deletar as fanfics depois de postadas. Mas eventualmente, o próprio site foi retirado do ar e com ele, minhas histórias se foram para sempre). Não restou nada. Nenhuma amiga tem aqueles textos, nada. Já era. E você não sabe O QUANTO eu me arrependo disso. Frequentemente penso no assunto e me arrependo de novo e de novo. Eu queria ter essa noção do quanto evoluí, sabe? É claro que eu me lembro das histórias mais marcantes, pelo menos em partes. Mas o estilo e todo o resto se perdeu.

    Pelo menos, ainda me restam os meus textos de 2010 para cá, que eu guardo em milhares de back-ups, como se fossem as coisas mais preciosas do mundo, porque são. E relendo meus textos de 2010, eu vejo o quanto evoluí e o quanto isso é maravilhoso. Às vezes, tenho que rir das minhas histórias sofrivelmente ruins. Mas geralmente, digamos, em 90% das vezes, eu me pego me divertindo e me emocionando com os meus próprios textos. Tenho sempre aquela sensação agradável de "EU escrevi isso? Sério?" Quando leio minhas fanfics e meus contos, é como um lembrete do porquê faço isso. Mais do que isso, é uma mensagem para mim mesma: "Tá vendo? Você já fez isso. E pode fazer de novo." Nós, escritores, lidamos constantemente com a dúvida, com o medo de não conseguir escrever nunca mais, com o apavorante "bloqueio". Mas nossos textos antigos estão aí, como um testemunho do que somos capazes. Para mim, isso não tem preço.

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