CRÔNICA | O quanto da sua vida é baseado na internet?

crônica  O quanto da sua vida é baseada na internet?
Foto: huffpost

WhatsApp, Instagram, Pinterest. Twitter, para alguns. Facebook virou coisa "de gente velha". Snapchat ainda existe? Tumblr pra ler, Spotify para ouvir, YouTube para assistir; tantos blogs nessa interwebs que já nem dá pra contar - nunca deu, na verdade.

Eu sei que parece hipócrita uma crônica num blog, dentro da internet, fazer uma análise sobre como vivemos aqui na web. Mas ei, é pra isso que estamos aqui! Se não pudermos usar do ciberespaço para criticar o uso do próprio por nós mesmos, qual o ponto?

Enquanto conversava com um amigo de infância – nos conhecemos desde a sexta série comentamos sobre como estão alguns de nossos colegas do ensino médio, até que foi mencionado que há muito não via um deles pessoalmente. "A gente acha que ver as pessoas na internet é o suficiente, né" disse ele, após rir. Depois que ele foi embora, coloquei-me a pensar nessa frase. Desde a faculdade que estudo sobre internet e suas nuances, então, frases e discussões do tipo sempre ficam martelando na minha cabeça.

E aí, pensei naquele clichê que já falamos mil vezes e, ainda assim, insistimos em não levar a sério. O quanto da sua vida é baseada no que se vê na internet? O quanto você mostra ou deixa de mostrar nas fotos do Instagram, nos tweets, nos stories?

Falando por mim mesma – e eu adoro essa frase, pois, por quem mais eu poderia falar? sou um completo desastre. Minha conta no twitter, por exemplo, é o maior livro aberto da minha vida. Passo horas analisando meu perfil do Instagram e pensando "Será que as fotos combinam? Se uma pessoa que não me conhece olhar o meu perfil, o que ela vai achar? Que eu sou legal? Que pareço capenga?". Passo horas na conta do blog buscando novos seguidores, novas curtidas e visualizações, com a desculpa que é um investimento de tempo, buscando o crescimento do Apenas.

Mas... será?

Analisando o meu próprio consumo com um olhar social e, por que não, pós-moderno, percebi que falhei como ser humano enquanto ser social, inserido na internet. Afinal, o que faz de um perfil adequado para ser acessado? Por que eu devo almejar um perfil com X seguidores? Se as minhas fotos não combinam, então eu falhei como usuária daquela rede? Tudo da minha vida deve ser, mesmo, publicado no twitter?

Eu devo alguma satisfação aos meus seguidores?

As respostas para cada uma dessas perguntas são óbvias e nós sabemos, mas fingimos que não. Guardamos lá no fundo da consciência que não devemos nada a ninguém e que não deveria importar quantos nos seguem, quantos nos curtem, quantos nos vêem.

E, de novo, parece clichê, parece óbvio, mas por que a gente não se escuta? Por que é tão difícil deixar o celular para ler um bom livro? Apreciar uma ida a uma praça, o tempo com alguém querido ou até mesmo um tempo de ócio consigo mesmo?

Porque nos foi dito que a vida não para. Que enquanto "eles dormem", precisamos garantir nosso diferencial. Então nos iludimos, com aplicativos, sites e cursos online para crescimento pessoal e profissional quando, na verdade, só perdemos tempo. 

Não vou concluir dizendo o que você deve ou não fazer. Usando o meu exemplo, irei continuar refletindo nos conselhos que dei a mim mesma, deixando o aplicativo do notas do celular, onde escrevi inicialmente essa crônica, de lado para um tempo de ócio ao lado do meu namorado.

Parece hipocrisia toda essa narrativa enquanto ele joga no celular a espera que eu termine? Parece.

Porque é.

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2 comentários

  1. É muito difícil saber separar a vida da internet e a nossa vida pessoal, principalmente, quem trabalha com isso. Tento viver ao máximo no meu tempo livre fora da tecnologia, porque já passo a maior parte do tempo nela durante o trabalho. ❤

    https://www.kailagarcia.com

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    1. Principalmente quando a gente trabalha com isso, acaba achando que toda hora é hora de dar uma checada, uma arrumada, e acaba não percebendo o quanto isso nos faz mal. Vou te copiar, viu, afastar um pouco quando não estiver trabalhando com ela. HAHA Obrigada pelo comentário! <3

      Beijos

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