A resenha de hoje é de um livro que eu não imaginei que receberia — e não recebi spoiler de nota fiscal no e-mail —, então, quando o livro chegou, foi PURO SUCO DO SURTO! HAHAHA lançada em março deste ano, a “Enciclopédia Negra” reúne nomes da nossa história brasileira, mesclando conhecidos e esquecidos que garantiram e garantem a necessidade dos nossos direitos. Vamos de resenha?

Enciclopédia Negra' ; Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz
Título: Enciclopédia Negra
Autores: Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz
Páginas: 720 páginas
Editora: Companhia das Letras

Sinopse: De Abdias do Nascimento a Zeferina e Zumbi dos Palmares, 416 verbetes biográficos que encenam um reencontro do Brasil com a memória silenciada de milhões de pessoas negras. Nesta Enciclopédia negra, Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz passam em revista a história do Brasil, da colonização aos dias atuais, a fim de restabelecer o protagonismo negro. E o fazem alcançando o que há de singular, multifacetado e profundo na existência particular de mais de quinhentos e cinquenta personagens. São profissionais liberais; mães que lutaram pela alforria da família; ativistas e revolucionários; curandeiros e médicos; líderes religiosos que reinventaram outras Áfricas no Brasil, pessoas cujas feições foram apagadas pela história. Por isso, 36 artistas negros, negras e negres criaram retratos inspirados pelos verbetes desta enciclopédia, aqui reunidos em um belíssimo caderno de imagens. Em um momento de produção e disseminação errática de informações, esta obra contribui para conformar um seguro repositório de experiências individuais e coletivas às quais – como pessoas e como sociedade – podemos recorrer em busca de inspiração e orientação.

Enciclopédia Negra' ; Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz
Em março deste ano, a Companhia das Letras convidou os parceiros para a live de lançamento do livro 'Enciclopédia Negra', numa entrevista muito boa com os autores da obra. O objetivo dessa enciclopédia, como a sinopse já informa, é trazer ao público nomes que foram apagados ao longo da história do nosso país, mas que foram cruciais para a garantia de direitos de homens e mulheres negras brasileiros e/ou vindo para o Brasil. O livro é o que chamamos de calhamaço, com mais de setecentas páginas, seguindo a lógica de enciclopédia de fato: os nomes são organizados por ordem alfabética e, segundo a autora Lilia Moritz Schwarcz, buscaram figuras de todos os estados brasileiros, para ter uma obra bem completa.


 Eu ainda não li o livro, é claro. O pacote chegou por aqui no final de julho, mas precisava trazer essa resenha pré-leitura (isso existe? HAHAHA) pois gostei muito desse projeto! Além das histórias, o livro traz ilustrações feitas por 36 artistas negros, negras e negres, como a sinopse também informa, a fim de valorizar nossos artistas, que criaram retratos inspirados nas histórias contadas. Junto com o livro, recebi um pôster LINDÍSSIMO que já estou em busca de um lugar para emoldurar e pendurar no meu quarto.



Enciclopédia Negra' ; Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz
Este foi o pôster que veio junto com o livro

Sobre os autores, três nomes assinam este livro, sendo:


FLÁVIO DOS SANTOS GOMES é carioca, historiador e professor da UFRJ. Escreveu A hidra e os pântanos (2006), O alufá Rufino (2011, em coautoria com João José Reis e Marcus J. M. de Carvalho);

JAIME LAURIANO vive e trabalha entre Porto/Portugal e São Paulo/Brasil, e é artista visual. Com diversas exposições individuais no Brasil e no exterior, concebeu uma obra especial para a sobrecapa do Dicionário da escravidão e Liberdade (2018);

LILIA MORITZ SCHWARCZ é professora titular no Departamento de Antropologia da USP e Global Scholar na Universidade de Princeton. É autora de, entre outros livros, O espetáculo das raças (1993), As barbas do imperador (1998, prêmio Jabuti de Livro do Ano), Brasil: Uma biografia (com Heloisa Murgel Starling, 2015).

Eu confesso que senti a falta de uma mulher negra dentre os autores deste livro. É claro que a presença feminina negra nas histórias aqui contadas e nas ilustrações feitas existe, e isso é ótimo, mas sei que mulheres negras historiadoras e antropólogas não faltam no nosso país. Antes de escrever sobre nossa existência é preciso, é claro, que sejamos nós a fazê-la, também. Seria, ao meu ver, o único defeito deste livro, nessa minha resenha pré-leitura.


Conhecer a nossa história é o primeiro passo para não repetir os erros do passado e garantir um futuro digno para todas as pessoas. Sempre digo que na escada da militância, a luta negra sempre fica por último. Por isso, conheça, estude, abra a sua mente socialmente racista e compreenda a luta que busca nada mais do que direitos igualitários.

E aí, gostou do livro?
Conta pra mim :)