Quando completei 30, eu vivia uma não tão leve crise no trabalho. O chefe do meu setor (e meu grandíssimo amigo e parceiro desse blog) deixou a equipe de forma abrupta. Quando me perguntavam se eu tive a famosa crise dos 30, respondia brincando “não deu tempo, a crise da saída de Diogo veio antes”. E de fato.
Hoje, após ter seguido os passos de Diogo e também ter deixado o trabalho para me dedicar ao mestrado (porque somos viciados em ser a dupla dinâmica de qualquer ambiente), percebi que eu — finalmente — tive a chance da minha crise dos 30. Não parece o tipo de coisa a se comemorar, mas quando os últimos cinco anos da sua vida foram marcados pela agenda e horários de outra pessoa, ter tempo para refletir na própria jornada é uma dádiva.
Essa é a primeira vez, em dez anos, que eu não tenho um “plano”. Quando saí da faculdade, meu objetivo era arrumar um emprego o quanto antes para pagar meu fies e juntar dinheiro para o futuro. Depois, meu objetivo era conseguir um emprego em Aracaju. Quando consegui, era hora de planejar o tempo certo e a poupança ideal para alugar um apartamento e morar sozinha. No trabalho, os dias giravam em torno dos eventos, das inaugurações, das agendas.
Então, quando os checks foram marcados na lista e quando o ciclo do trabalho foi encerrado, eu respirei. Foi como chegar finalmente ao destino depois de subir uma ladeira e tirar mochila pesada das costas. Meus vinte anos foram dedicados a uma lista ideal que, mais do que deveria, precisava ser cumprida. Sim, escolhas foram feitas, mas o que as nortearam foi aquilo que precisava ser feito.
Agora, com as metas alcançadas, foi como respirar em paz de novo. O mestrado era uma possibilidade muito incrível e um desejo interno, mas que sempre pareceu distante. E depois de uma Torre desabar e levar todas as estruturas fracas com ela, eu pude escolher. Não com base numa lista, não com a necessidade de contracheques, mas com o meu querer. Com base naquilo que eu aprendi a deixar pra depois e a vida me cobrou ação.
Ser dona do próprio tempo tem sido uma experiência muito gostosa. Os dias parecem mais longos, os detalhes mais vívidos, os momentos menos urgentes. As risadas mais altas, o silêncio mais acolhedor e a vida mais leve. A responsabilidade aumenta, também, pois agora não há desculpas; escolher a si mesma também é sustentar o peso dessa escolha.
No fim, também não houve crise dos 31, mas sim a deliciosa sensação de ter de volta as rédeas da própria jornada.





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