Resenha #38 — 'Nós - Uma Antologia de Literatura Indígena'; Org: Maurício Negro

nós um antologia de literatura indígena
Título: Nós - Uma Antologia de Literatura Indígena 
Autores(as): Lia Minápoty, Aline Ngrenhtabare L. Kayapó, Ariabo Kezo, Edson Krenak, Tiago Hakiy, Edson Kayapó, Estevão Carlos Taukane, Cristino Wapichana, Jera Poty Mirim, Rosi Waikhon, Yaguarê Yamã, Jaime Diakara.   
Organização e Ilustrações: Maurício Negro 
Páginas: 126 páginas
Editora: Companhia das Letrinhas
Sinopse: Tratando dos mais diversos temas — dos mitos de origem às histórias de amor impossível —, as narrativas conduzem o leitor por situações e desenlaces muito próprios, sempre acompanhadas por um glossário e um texto informativo sobre o povo indígena de origem de cada autor. Esta é uma chance preciosa para todos aqueles que desejam entrar em contato com as raízes mais profundas de nossa cultura, ainda pouco valorizadas e respeitadas, por puro desconhecimento. 

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Continuando com as resenhas dos últimos recebidos pelo Grupo Companhia das Letras, o livro do post de hoje é um achado incrível, de leitura rápida e, por mais que seja publicado pelo selo infantil do grupo, seu conteúdo original e cheio da magia dos mitos encanta jovens e adultos. Estamos falando de “Nós – Uma Antologia de Literatura Indígena”, lançado pela Companhia das Letrinhas em agosto deste ano. Organizado e ilustrado por Maurício Negro, o livro reúne doze autores de dez povos indígenas do nosso país, em dez contos cheios de ancestralidade e mitologia brasileira, tão desconhecida por nós, ditos brasileiros.

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Cada conto traz um breve resumo de cada povo, um glossário e uma biografia do(s) autores(s) e autoras. Alguns textos trazem palavras nativas ao longo da narrativa e, particularmente, achei o máximo. Os contos são, por si só, mais do que originais, porém, as palavras ali inseridas, deram um tom (ainda mais) verídico ao que era contado, como se estivéssemos imersos naquele cenário que nos era passado.


A minha referência indígena na literatura brasileira é “O Guarani”, de José de Alencar. Eu sei, shame on me. E, tratando justamente do que falei na resenha anterior, sobre o livro “O perigo de uma história única”, Nós me trouxe visões e respostas a perguntas estereotipadas que me tinham sido passadas ao longo de toda a minha vida. Como Maurício Negro, organizador da antologia, apresenta, “[...] mais de 275 línguas indígenas, que já foram mais de mil quando os europeus desembarcaram no pré-Brasil” (p. 9). Temos a história única de que os nativos brasileiros são um povo só, com os mesmos costumes, com o mesmo idioma, com costumes que passam longe da realidade.


Não poderíamos estar mais errados. E o livro Nós rasga os estereótipos que temos e nos apresenta a linda diversidade existente em nossos país -- e que tanto nos privamos de conhecer. A leitura desse livro vem, ainda, reforçar que a figura indígena não precisa ser lembrada unicamente em abril, assim como nós negros não precisamos ser pauta apenas em novembro. É uma cultura que precisa ser resgatada, lembrada e contada da forma correta. Os povos originários, como a própria palavra já deixa claro, aqui já estavam e foram invadidos, mortos, escravizados. Não há medida governamental que supra os danos já sofridos e, definitivamente, tirando o que lhes restam não é a melhor maneira de preservar a cultura originária.

Assim, a única coisa que posso dizer é: leia Nós – Uma Antologia de Literatura Indígena. Deixe que as 126 páginas, repletas de incríveis ilustrações, desamarrem a sua visão colonialista, inserida em nós desde 1500 e ainda tão propagada. É 2019, ora essa! Somos plurais e plurais são os povos originários brasileiros. Citando Daniel Munduruku, na contracapa do livro:

O que importa é a nossa origem: o coração do Mistério, para onde também retornaremos. É tudo isso que a leitura dessas narrativas desperta. Para senti-las, temos de aprender a ler o silêncio que habita cada ser e ser o silêncio que nos habita.

 E aí, gostou da resenha? Já leu o livro? Conta aí o que achou. :)

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4 comentários

  1. Oi
    Eu adorei a dica 😊 adoro livros com essa temática, já quero!!

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    1. Oi, Joana! Fico feliz que tenha gostado, o livro é realmente muito bom. <3

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  2. Esse livro já está nos meus desejados, amo contos e ainda mais com essa temática indígena que precisa tanto de mais visibilidade.

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    1. Oi, Mari! Eu também adorei a visibilidade dada a temática indígena, não só o fato dos contos serem com personagens nativos, como também os escritores. São histórias sem estereótipos que tanto vemos e cheio de ancestralidade. Eu indico super a leitura. :)

      Beijos

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