Se a essa altura você ainda não sabe, eis uma novidade não tão nova: comecei o mestrado em
Comunicação esse ano. E, em meio a leituras e fichamentos, a fala sincera de uma colega da aula de quinta ecoa na minha cabeça: “gostei muito do texto, mas a maior parte do tempo eu me senti burra”. A turma riu e eu me senti não só representada, como também acalentada.
Quando pensava em tentar seleção de mestrado, um dos argumentos que eu dava a mim mesma era de que o tempo tinha passado. Terminei a graduação em 2016, era tempo demais longe do universo acadêmico para que eu inventasse de me debruçar em artigos de novo. Ao longo do caminho, no entanto, eu decidi não dar ouvidos a essa vozinha e ainda bem: eis que cá estamos nós.
Mas a colega estava e está mais que certa: me sinto assim a maior parte do tempo: entendendo pouco ou me sentido perdida, enquanto ouço as pessoas dizerem que o mestrado passa rápido demais e que preciso aproveitar ao máximo. Mas, como eu aproveito se quando não entendo, estou apavorada por não estar entendendo?
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| Foto: Pinterest |
E aí, enquanto eu entrava em parafuso com os meus dilemas, lembrei de uma situação que em nada tinha a ver com estudos: uma amiga tentou três vezes passar pela transição capilar e desistiu as três. Ela dizia que não conseguia lidar com as duas texturas e com o tempo que isso levava. Que, se pudesse, dormia lisa e acordava com o cabelo natural apenas para não passar por esse sofrimento. “Você não consegue lidar com o processo”, disse eu, cheia de razão, porque já tinha passado pela transição capilar muitos anos antes.
E cá estou eu não sabendo lidar com o meu processo.
Se você foi uma criança que se destacou em alguma matéria (ou simplesmente estudou em escolinha de bairro e achava que estava arrasando quando o ensino era, no mínimo, mediano), então você sabe a sensação que vou descrever: algumas coisas pareciam fáceis, quase naturais, e por isso você foi rodeado de elogios e chegou a acreditar que era diferente. Que era mais inteligente. E, por acreditar que era melhor, você talvez não tenha aprendido a lidar com processos, porque lá atrás, você acredita não ter passado por eles. Que você só sabia. Que a coisa toda era muito mais fácil.
Lembra como as aulas do ensino infantil pareciam mais fáceis? Aquela coisa de só pintar, desenhar, aprender vogais e números e tirar um cochilo? Pois é, o tal do processo, menina, é mole?! Eu também fico besta como estava na nossa cara o tempo todo! Todos nós queremos os resultados prontos, a resolução, o objetivo, o título, mas a gente esquece que existe todo um caminho até a linha de chegada. E, às vezes, o caminho é linear e tranquilo; outras vezes, é cheio de buracos ou uma pista molhada e você está de chinelos. Tem caminhos que chovem sem parar e tem outros que são floridos e ensolarados.
Processos existem para serem vividos. E eu nem vou entrar no mérito de que o processo vale mais que o fim, porque talvez não valha, mas o fato é que não existe fim sem meio e sem começo e se você já começou, o meio precisa ser enfrentado. Seja ele fácil ou não, ensolarado ou chuvoso. O meio vai continuar lá e você precisa passar por ele.
Afinal, nenhum de nós nasceu aos 30. Todos estivemos num útero e, ano após ano, seguimos nesse processo contando dias, meses, anos. Talvez seja por isso que a gente aprenda números logo no início da jornada, porque para chegar em 10, primeiro você precisa conhecer o 1. E assim por diante.
Viva teu processo, viu, menina?! Seja impor um limite, uma transição capilar, uma rotina de exercícios ou um mestrado acadêmico. O resultado é incrível, mas, ele não nasce em árvore e nem se resolve com um click, pois felizmente não vivemos num filme de Adam Sandler. Viva teu processo, entenda seus limites e aceite seu caminho tortuoso ou linear, ensolarado ou chuvoso ou tudo junto. Porque a vida tem dessas.





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