É preciso que seja desconfortável

Esses dias me deparei com um vídeo de Victor Vaz em que ele se defende de quando as pessoas pedem para que ele seja sincero. “Tem certeza? Porque geralmente, quando eu sou sincero, tenho que pedir desculpas depois”. Eu ri porque nada mais Thiarlley que isso (e inclusive compartilhei nos meus stories).

Foto: Sihlobile |  Pinterest 

Ainda no Instagram (pois é, menina, muitas referências a esta rede levemente problemática por aqui), Morgana Pinho publicou um vídeo questionando o público sobre a necessidade de uma amizade para “dar uma baixa”. “Você tem uma amizade para dizer que você tá maluca, que você tá se passando, vacilando, que você errou?”. Não ironicamente, eu recebi esse vídeo de três amigos diferentes, então ao que parece, sou eu a amiga que dá uma baixa.


Esse não é um lugar confortável, no entanto. Porque quando a gente pensa em dizer poucas e boas para alguém, só é satisfatório quando o receptor é um desafeto. Quando estamos diante de uma pessoa que amamos, dizer verdades é tão doloroso quanto ouvi-las, porque a gente sabe que dói, afinal, nós, as amizades que dão uma baixa, também temos nossas amizades que dão baixas. E essas baixas são dolorosas justamente porque nos colocam contra a parede, frente com a verdade que nos recusamos a enfrentar. E, às vezes, a verdade é admitir que estamos num lugar desconfortável porque escolhemos ficar.

Afinal, como vi em mais um conteúdo do Instagram, “o que você tá reclamando e não tá mudando, você tá escolhendo”. Quem canetou essa foi Luciana Righi Dreon. E nós, as amizades que dão a baixa, estamos vendo você não tomando atitudes, estando em posições que escolheu e ainda reclamando ou ignorando os sinais de que algo precisa ser feito e precisa ser feito por você. E é por isso que nós, as amizades que dão a baixa, dizemos as verdades que dizemos, mesmo que também nos doa. Porque, se não dissermos nada, estaremos sendo cúmplices do mal que você está fazendo pra si.

Desconfie de amizades que só dizem o que você quer ouvir, que validam tudo o que você diz sem questionamentos, que sorriem e acenam para qualquer coisa. É preciso que seja desconfortável. A gente brinca muito por aí dizendo que “meu pano já está pronto” e outras variáveis sobre apoiar nossos amigos quando eles estão errados. E eu não discordo tanto, mas é preciso saber até onde estamos dispostos a ver pessoas que amamos se afundando por vontade própria e apoiá-las mesmo assim. Não contem comigo pra isso, afinal, já deixamos claro que sou do time amizades que dão uma baixa.

Sabe quando a gente vê uma atitude questionável de alguém e pensa “não tinha ninguém pra avisar?” às vezes tem, às vezes a amizade que dá a baixa já avisou até demais, mas será que ela foi ouvida? Certa vez eu precisei ser muito honesta com uma pessoa sobre um sofrimento contínuo que ela se permitia a passar e disse que não queria mais saber. “Não tem como te ajudar se você não quer ser ajudada, você escolhe sofrer e eu vou parar de tentar impedir”, e não foi fácil dizer isso, mas também estava cansada de ser repetitiva. Comentei com outra amiga sobre o ocorrido e ela disse “amiga, quando eu tiver passando por algo, seja fofinha comigo” e eu prontamente respondi que não.

Porque eu sou a amizade que dá a baixa. Não é um momento fácil pra nenhuma de nós duas, mas é preciso que seja desconfortável.

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