Uma coisa muito escritora da minha parte é que eu adoro cadernos. Por mais que eu escreva, ou melhor, digite no bloco de notas, no word, no docs ou no notion, um caderno é sempre necessário e porque não indispensável.
Um não, na verdade, vários. Cada um com sua finalidade: estudos acadêmicos, um só para a dissertação, estudos gerais, contas, compras, roteiros, escritas avulsas, diários, enfim.
Aliás, às vezes eu escrevo, ou melhor, digito em algum lugar, mas tenho como obrigação moral passar a limpo em um caderno de acordo com o tema escrito, afinal, já sabemos que cada caderno tem sua função, não vamos fazer bagunça por aqui.
Numa era tão digital, parece um certo apego, quem sabe um pouco de presunção da minha parte, ter tantos cadernos físicos em meio a falsa ideia de imaterialidade da nuvem. Longe de presunção, com certeza estou do lado do apego: daquela época que eu ainda descobria a escrita, numa adolescência criativa que ignorava as aulas de exatas e ocupava as últimas folhas do caderno de 15 matérias com histórias — todas românticas, é claro (e todas com um único ídolo de kpop como protagonista).
Esses dias achei diversas folhas soltas de um caderno antigo com várias cenas perdidas do que hoje conhecem como o livro Não é o que Parece. Nunca joguei essas folhas fora.
Numa era dos mais variados tipos de IA, escolher escrever do zero parece coisa de gente burra. Eu prefiro dizer que é coisa de quem resiste.
Longe de ser uma resistência à tecnologia, não tenho nada contra as escritas digitadas, citei acima que volta e meia estou digitando. Muitas coisas contra a IA generativa, no entanto (afinal, é muito fácil escrever tendo como principal fonte o que já foi escrito por outras pessoas sem dar os devidos créditos, não é mesmo?), mas cada um sabe o que faz.
Eu, bem, sigo por aqui, na “burrice” de escrever do zero, mesmo com tantas ferramentas generativas à vista. Eu passo. Sigo por aqui, eu e meus cadernos, com pauta ou sem pauta, encadernado ou brochura, de capa colorida ou brinde de alguma empresa, não importa.
O que importa é que meus cadernos existem. E resistem.
Dito isto, feliz dia do Escritor.






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