Certa vez eu me peguei pensando sobre essa sensação incômoda de desagradar. Esse sentimento de que não importa qual seja a ação, a fala, o olhar ou a escolha, ninguém nunca vai, de fato, gostar de você ou daquilo que você faz.
Não foram muitos os momentos que eu me senti dessa forma, mas eles existiram e, por mais que hoje eu saiba que se trata de uma inverdade, na época eu não sabia. E eu tentava. Por diversas vezes, lá estava eu agindo de uma forma que eu não queria, dizendo e fazendo coisas as quais eu não me sentia confortável, rindo de piadas que não eram engraçadas, apenas na tentativa de ser gostada. De fazer parte.
Mas que sensação de vazio era essa? Que sentimento de falha, para com os outros, mas principalmente para comigo, era esse que me invadia e fazia com que eu repensasse meus planos, refizesse trajetos e buscasse, a todo custo, a receita ideal para que eu, finalmente, me sentisse amada, acolhida, compreendida e realizada?
![]() |
| Foto: Pinterest |
É estranho colocar isso no papel agora, porque me soa inconcebível a ideia de acreditar que a minha existência nesse mundo é em vão. E não digo isso de um lugar de ego, mas de um lugar de quem foi acolhida. Quando lá atrás esse blog nasceu, minhas fanfics se fizeram reais e se tornaram pontes para que meus livros ganhassem o mundo, eu jamais imaginei que chegaria o dia em que meus livros ocupariam listas de melhores leituras; que meninas e mulheres me abordariam na DM do Instagram para dizer que ficaram aos prantos com a leitura de O Bom Soldado ou que se sentiram vistas lendo Não é o que Parece.
Mas tudo isso, todo esse acolhimento, todo esse amor que eu vivi e vivo nas minhas relações, nas minhas irmandades de afeto, no meu recém oficializado casamento, tudo isso só foi possível porque um dia, cansada de tantos planos e mesmo sem saber qual era o jeito certo de fazer isso, eu decidi me amar primeiro. Tratando-se do blog e das minhas escritas, tudo isso só foi possível quando eu decidi não mais ter vergonha de ser, a época, uma aspirante à escritora.
Não existe receita. Eu não posso chegar aqui e dizer quais são os passos que você deve seguir para alcançar esse amor próprio, porque cada trajetória é única, mas tudo começa com um passo. Sei que talvez você esteja lendo esse texto e dando de ombros ou rindo da sua própria desgraçada, ciente de que nossas histórias não são semelhantes e que talvez esse dia não chegue pra você.
Mas chega, sim.
Talvez o seu primeiro passo seja você decidir fazer porque quer e não porque te disseram pra fazer. Talvez seja colocar aquela roupa colorida e chamativa e decidir que, sim, você quer chamar atenção. Talvez seja começar a dizer não, por mais que doa, por mais que seja muito mais fácil dizer sim. Talvez o primeiro passo seja ir embora, talvez o primeiro passo seja chorar por horas até que as lágrimas lavem seu rosto, seu colo e a sua dor. Talvez o primeiro passo seja se olhar com mais carinho, entender que os erros do passado ficaram para trás e que o que define o futuro é o aqui e agora e como você decide trilhar a sua jornada.
Eu não sei quem você é e como você chegou aqui. Não sei se você já é uma leitora assídua ou talvez tenha chegado aqui como uma última tentativa antes de desistir de tudo, então eu te peço que, por favor, não desista. Essa sensação de insuficiência, de não pertencimento, de desacolhimento e de não amor vai passar. Porque tudo na vida passa. E, talvez não seja bem o que você esperava em encontrar aqui, mas antes de esperar o amor dos outros, colha você o seu.
Você não é mais a menina que ninguém gostava. Você está prestes a ser a mulher que se ama.
Gosto de dizer que quando não se tem um plano, qualquer caminho é um caminho, mas nem todo caminho é um caminho adequado. Aqui, meu bem, quando a gente não se ama, não se acolhe e não se abraça, qualquer amor ou afeto de qualquer jeito, serve. E você é preciosa demais pra ser amada de qualquer jeito.





0 Comentários