#meus20anos — Uma jornalista em formação;

19:54



Descera do ônibus e os olhos brilharam atrás das lentes dos óculos ao observarem o grande Campi a sua frente. O seu novo destino a partir de agora, onde passaria três horas e meia do dia, cinco dias por semana. Ela não poderia estar mais feliz. As duas horas e alguns minutos de viagem para chegar lá eram insignificantes se analisassem o quanto ela queria aquilo. O horário nas mãos, os olhos curiosos observando cada detalhe do espaço, os passos lentos para fazer daquele momento cada vez mais único. Ainda parecia muito surreal que parte do seu sonho estava de fato acontecendo.
Ela era, finalmente, uma caloura de jornalismo.
Lembrava como a vontade de seguir aquela carreira já lhe era presente, mesmo quando nem pensava sobre seu futuro. Tinha nove anos, brincava de boneca com a melhor amiga de olhos azuis, quando as duas discutiam quem seria o quê. Ela pegou sua barbie e arrumou os cabelos, colocando-a sentada à uma mesa.
“A minha vai ser modista” disse, procurando os móveis em miniatura apropriados para fazer o trabalho da sua boneca.
“O que é uma modista?” Perguntou a outra, fixando os olhos azuis no rosto da morena e pendendo a cabeça para o lado, curiosa.
“É uma jornalista de moda, entendeu? Por isso é modista.” Explicou como se a pergunta fosse óbvia e voltou a arrumar o escritório de sua modista.
Durante toda a semana ela recortava e colava folhas de caderno transformando-as em pequenas revistas e colocava adesivos na capa, arrumando suas edições. Fazia murais de pauta – que ela nem mesmo imaginava o que significava –, pegava caixas de fósforos e fazia câmeras fotográficas. Aos 12 anos, ela e o primo resolveram montar um periódico mensal em que só eles teriam acesso. A “Leia lendo” foi um sucesso tendo maravilhosas e bombásticas duas edições.  No primeiro ano do Ensino Médio, por conta do vestibular, textos dissertativos-argumentativos começaram a ser trabalhados em sala e, enquanto todos os colegas detestavam escrever, ela vivia um misto de interesse e preguiça. Quando o tema proposto pela professora lhe agradava, precisava fazer de tudo para não ultrapassar o limite máximo de linhas. Quando não, era um tremendo esforço chegar ao mínimo de vinte.
No ano seguinte, um trabalho de inglês, onde os alunos deveriam produzir videoclips, surgiu. A turma deveria selecionar um responsável para os bastidores e postá-los no blog do trabalho. Na divisão, o blog fora a única função que lhes restou e ela acatou, decidindo que se dedicaria ao máximo à ele. Fora seu primeiro prêmio como “melhor blogueira” (e como qualquer outra coisa) e o único que a turma levou. Em 2011, seu último ano na escola, o trabalho se repetiu e o blog ficara novamente em suas mãos. Antes mesmo de começar as suas postagens, já era conhecida pelo trabalho anterior e alguns diziam que nem se empenhariam, pois o prêmio seria dela. E foi. O professor de Inglês e seu grande amigo, lhe entregara ambos os prêmios com sorriso no rosto e brilho nos olhos. Dissera à garota que se ela não escolhesse jornalismo, ele a obrigaria a escolher. E ela escolheu. Desde a primeira vez que escrevera, sabia que era aquilo que queria para sua vida.
No mesmo ano, ela conheceu o mundo das fanfics. Por meio da música pop coreana, chegou ao site “Lollipopfics” e mais uma vez, encontrou-se. Leu todas as fanfics finalizadas em menos de um mês e decidiu que ela também seria uma autora. Com uma ideia inicial deixando a desejar, afinal era a primeira fanfiction, ela escreveu e com permissão das administradoras do site, publicou. O interesse por escrever só aumentou. Novos sites de fanfictions, sendo de artistas asiáticos ou não, foram encontrados, novas histórias lidas, novas ideias para escrever as próprias. Ao fim daquele ano de 2011, beirando o vestibular a garota tinha ainda mais certeza do que deveria escolher para a faculdade: Jornalismo. Ela queria escrever. Queria fazer as pessoas refletirem através do seu texto, queria um livro publicado no futuro. Decidira então que o blog pessoal, criado em 2008 apenas porque sua irmã mais velha também tinha, seria levado a sério.
Com o início de 2012 viera a triste notícia de que ainda não estava apta para cursar a tão desejosa faculdade. Após dias de desânimo, voltara a ativa e iniciara o cursinho com um gás que nem ela mesma imaginou que tinha. Novas histórias sugiram, ela viu sua escrita evoluir, passou a explorar novos temas, resolveu ler mais livros e mais fictions. E nos primeiros dias de 2013 ela recebera a notícia que tanto queria:
Ela seria, finalmente, uma caloura de jornalismo.

E desde quatro de fevereiro de 2013, quando ela finalmente colocara os pés lentos e os olhos curiosos dentro do Campi, o seu sonho vem sendo realizado todos os dias. Entrara com uma visão e a cada aula a mesma vem sendo quebrada, podendo rever seus conceitos sobre o curso e o mundo. Percebe que ser formador de opinião vai muito além de simplesmente levar a notícia as massas, é também dar voz a nação. Tem, todos os dias, seus pré-conceitos descontruídos e uma visão mais ampla da vida, do homem, do mundo. Precisa, todos os dias, deixar sua timidez de lado e não só escrever, mas falar e expressar. Falar para um ou para muitos. Falar para uma câmera ou para um gravador. Escuta, vez ou outra de algum professor que “Será uma grande jornalista de revista”; “Você tem potencial para qualquer área de escrita que você seguir” ; “Te aguardo no jornalismo literário”. Ouve, de um professor em particular que ela tanto adora, que ainda espera um livro dela publicado. Ouve um  “E o blog, como é que tá?” e automaticamente um sorriso adorna seus lábios.

 Percebe, todos os dias, que não havia nenhuma outra graduação no mundo para ela, se esta não fosse a Comunicação Social. 

"Você é um grande escritor.
Não um aspirante, um escritor medíocre ou algum dia,
de alguma forma, um escritor.
Você é um grande escritor, agora."
StoryWonk.com

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9 comentários

  1. me cativou, vou fazer Jornalismo... kkkk brincadeira, já disse que só faço jornalismo quando você for coordenadora do curso.
    No mais, mais um texto cativante... impossível não imaginar suas expressões entrando no Campi, ou sorrindo quando o professor pergunta pelo blog. 👏👏👏👏

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    1. VEM PRA COMUNICAÇÃO, UHU! HAUAHUAH Olha, você não prometa o que não pode cumprir, viu? Saiba que a demora é só eu (me formar, ter experiência, um bom desempenho, ser professora) pegar a Coordenação do curso e eu te ligo, viu. O senhor VAI TER QUE cursar e pronto! HAUHAUAH

      Que lindo, obrigada! :D Eu parecia uma boba mesmo quando entrei na Unit pela primeira vez HAUAHUAH sdds primeiro período sdds

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  2. Nossa, que texto! Amei saber um pouquinho da sua história com o jornalismo (cada um tem a sua né?) e me identifiquei com algumas emoções citadas aqui. Sucesso, minha parceira de profissão! :)

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    1. Yasmin, olha a senhora por aqui! :D Fico feliz de vê-la rondando aqui, viu? HUAHAU
      Ai, que bom! Acho que é sempre uma boa história pra ser contada, aquela de como a gente se descobriu no curso e porquê! Fico extremamente feliz e grata por ter gostado! Sucesso também, moça! :D

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    2. Sempre passo por aqui, é que nunca comento (coisa feia, eu sei!). Sim, é uma história muito boa mesmo. Não sei você, mas fico muito feliz e toda orgulhosa em contar a minha história com o jornalismo, hihi.

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  3. Muito agradável ler essa parte tão significativa da sua vida. Sempre que alguém se abre assim, costumo agradecer porque se compartilhar com o mundo é algo de grande generosidade. Por isso, obrigada.
    Também almejo fazer jornalismo e, com as postagens do seu blog, sinto-me cada vez mais motivada e certa desse futuro maravilhoso. <3

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    1. Dona Lo! ♥ Deixa eu confessar que estava com medo de não superar suas expectativas para esse texto e, quando vi seu comentário aqui, quase chorei de alívio! HAUAHUHA Own, eu que agradeço por se interessar pela minha história! :D Fico feliz de estar colaborando para o seu gosto pela área só crescer e digo que é uma maravilha, apesar dos seus altos e baixos AHUAUAH Vem pra Jornalismo, vem! ♥♥

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