#21anos — Sobre se amar e ter orgulho de si;

Foto: Ian Ricardo
         A história que aqui começa não é das mais inéditas.
         O “patinho feio” que se torna no belo cisne é tão batido em hollywood e na literatura que já até perdeu a graça. Mas, quando o patinho feio percebe que não tem a necessidade de se tornar um cisne para os outros, mas que se torna um cisne por si mesmo, por amor a si mesmo, para amar quem é, talvez o enredo pareça mais agradável.

         Nunca imaginei que poderia, um dia, influenciar pessoas por conta da minha aparência. Nunca imaginei que, um dia, eu poderia dizer não ao que me era imposto e dizer “eu sou linda sim” sem a necessidade de me parecer com alguém e/ou me falsificar. Sem a necessidade de fazer o que quer que fosse para ser aceita.

         Quando em 2013, ao me olhar no espelho, eu decidi que mudaria, não foi pensando em alguém. Não foi pensando no que A ou B pensaria a respeito ou o que C e D diriam ao me verem com os cabelos naturais. Não passei dois anos na transição capilar para agradar outra pessoa além de mim.

         Quando olhei no espelho e decidi que já tinha passado da hora de mudar, eu estava pensando em mim.

         Talvez seja por isso que eu não tenha criado expectativas acerca disso. Não pensei nos comentários agradáveis e de incentivo, pois eu sabia que eles não viriam. Não pensei nos comentários maldosos e desnecessários, mesmo sabendo que estes sim viriam, porque não fariam diferença. A força que me foi dada por Deus foi alta o suficiente para que eu acreditasse que sim, eu venceria aquela transição. Sozinha.

         “Você diz que Deus te deu forças em algo tão pequeno? Que absurdo!”

         Não se trata só de cabelo. Trata-se de aceitação. Amor-próprio. Alegria naquilo que Ele me deu ao me criar e por anos foi negado por um estereótipo que não me valia de nada. “Criado à sua Imagem e Semelhança”. Eu fui criada a sua Imagem e Semelhança e não há problema algum em ser do modo que sou. Ao encarar o reflexo e ter ciência do peso dessa passagem e da forma como eu dava as costas à ela, pedi perdão ao Pai por tê-lo magoado. Por ter negado a forma que Ele me deu. O corpo que Ele me deu. Pedi perdão ao Pai por tê-lo negado, ao negar quem eu era.
        
         E então O agradeci por ter me aberto os olhos.

         Não pedi para exercer a influência que eu exerço hoje por conta dos meus cachos. Mas também não me importo de conviver com ela. Ajudar meninas e mulheres que desejam passar pela mesma transição é a coisa mais gratificante que eu pude e posso fazer.

Alguns dias atrás postei uma selfie aleatoriamente, após ter feito as fotos de um evento. E devo dizer que a encarei por muito mais tempo que o necessário para uma foto de si mesma. O sorriso que eu trazia no rosto era de satisfação, de alegria, de vitória. O sorriso que eu trazia no rosto ao encarar a foto citada era de felicidade. E enquanto recebia as notificações dos likes dados pelos amigos, apenas uma frase ecoava na minha mente:

“Não existe outra pessoa no mundo inteiro que eu quisesse ser, senão eu mesma”

E hoje, ao completar 21 anos de idade, não sou eu queria ser na adolescência. 
         Sou quem eu quero ser. 


Seja bem-vindo, 21.
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