#DiadaMulher — Nos ame hoje, mas nos ame também amanhã;

19:49



A primeira menstruação, os seios cresceram. O corpo desenvolveu curvas, os rapazes (da sua idade ou mais velhos) a observam com um outro olhar. Ela pinta as unhas, arruma melhor o cabelo, ganha sandálias de salto, maquiagens, vestidos mais curtos.


Mas ela só tem 13 anos.


O interesse sai das Barbies e vai para os meninos, que ainda não saíram das brincadeiras de bola e bonecos de super-heróis. “Humpf, meninos demoram tanto a amadurecer”, é o que ela escuta. É o que ela adota como verdade. Ela é madura, os meninos de sua idade não. Como madura que é, ela deve procurar homens, porque HOMENS são maduros como ela.


É claro.


Na rua, no caminho da escola, no parque com as amigas, homens a olham. “Que isso, novinha” “Ai, papai, viu” e outras frases imundas adentram seus ouvidos como música. Eles são homens, maduros. Ela é uma menina, mas ela também é madura. Tão madura para idade dela, não é? O que haveria de errado conversar com homens que irão entender o que ela diz? Ouvir as mesmas músicas, ter os mesmos interesses?


Nada.


Então, um desses a convidou para sair. Ela, prontamente, aceitou. Mentiu para a mãe, saiu mais cedo da escola e foi só “tomar um sorvete” com um cara dez anos mais velho que ela. Ele disse coisas tão lindas, elogiou seu cabelo, notou os mais pequenos detalhes, disse a famosa frase que a fazia suspirar.


Você é madura demais para a sua idade.


E ela, ensinada como foi, acreditou.


Caiu nas garras de um homem manipulador que a persuadiu e que a abusava. Psicologicamente e moralmente. Extremamente ciumento, ela o via como um príncipe encantado. A proibiu de ver amigos, só podia sair ao lado dele, a culpa das brigas era sempre dela. Mas a garota não reclamava, talvez fosse assim que ser madura era.


Mas o encantamento chegou ao fim. Ela finalmente percebeu que não queria aquilo, que queria sua vida com as amigas de volta, que queria viver a sua vida sem alguém a controlando. Então, ela decide terminar. Ele virou outra pessoa. Aos prantos, ele diz que vai mudar. Que não viveria sem ela. Que tiraria a própria vida se preciso fosse, mas que a vida sem ela não valeria a pena. Então ela cedeu, uma segunda chance foi dada.


E nada aconteceu.


Depois de idas e vindas, do mesmo discurso, ela decidiu parar de ter pena e se livrar de vez de alguém que não a fazia bem. O choro, o drama, o suposto suicídio não a fizeram mudar de ideia. Ela finalmente deu um fim aquilo que a fazia mal.

Uma semana depois, a ameaça de suicídio se tornou homicídio. Crime passional. Noticiado em todos os sites e jornais locais.

E para a população, a culpa era dela. A culpa era dela, ela o manipulou, ela o fez permanecer no relacionamento, ELA que não valia nada e ELA que resolveu trocar as bonecas por um cara mais velho.

Se morreu, o azar era dela.

Afinal, ninguém havia colado na cabeça dela que era hora de procurar alguém e deixar a infância de lado, não é?

Afinal, ela descobriu que era madura sozinha.

Afinal, a culpa é sempre delAs por estarem naquele relacionamento, por usarem determinada roupa, por estarem sozinhas, por não terem vigiado, por terem deixado seus homens “carentes”, por trabalharem, por não terem se prevenido, por terem filhos demais, por simplesmente serem mulheres.


Neste 8 de março, pare com a hipocrisia. Reveja seus conceitos.

Você nos ama hoje, mas nos humilhou ontem, nos humilhará amanhã.

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4 comentários

  1. Nossa, é bem isso que dias como o de hoje se tornaram, ilhas de hipocrisia (quiçá desencargo de consciência) nesse mar imenso q é o ano. Poxa, deveriam ser dias em que apenas se dá aquele capricho a mais no carinho, já que durante todo o ano se dá o devido valor e respeito. Penso mesmo que deveria ser sim, e espero - porque esperança tem que ser sempre a derradeira a desistir - viver para ver as pessoas se aproximarem mais desse "dar o devido valor e respeito" sempre. Não só às mulheres, claro, mas de forma especial à elas (a nós, oras u_u), porque já deu viu.

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    1. O pior ainda é ver que tem gente que lê um texto como um esse e AINDA culpar as garotas mais novas por ~se iludirem~ ou por ingressarem em um relacionamento como esse. É absurdo as pessoas não perceberem que parte disso é culpa da sociedade, é culpa nossa.
      Que a onda de protestos que tivemos nesse dia 8 sirva de lição para sermos respeitadas pelos homens e entre nós, né, miga.

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