2019 foi um ano tão difícil que até escrever essa crônica foi um processo doloroso. Relutei muito, relembrar certas coisas era, simplesmente, angustiante. Mas aqui estamos nós.
O começo foi incrível! Ah, o começo! Tantas promessas, planos, sorrisos acolhedores e expectativas. Viagens, novos planos, organização financeira, as coisas dariam certo, iria rever pessoas que há muito não via pessoalmente, realizaria um sonho. E assim se seguiu pelos primeiros meses, mesmo que, lá no fundo, eu acreditasse que algo estava errado.

Parecia bom demais para ser verdade.
E não só parecia, como era.

E então tudo desmoronou, em sequência e, como um efeito dominó, parecia devidamente planejado, numa espécie de alerta universal de que a vida estava longe de seguir conforme os meus planos.

Seguia, porém, de acordo com os planos dos outros.

Sonhos tiveram que esperar, a organização financeira virou uma bagunça, confianças foram quebradas da pior maneira possível: mostrando o quão descartável se era, naquele amontoado de arrogância e jogo de poder.

Não posso negar, no entanto, que aprendi.

Aprendi, dolorosamente, que ceder o tempo todo vai, aos poucos, privar você de quem realmente é. E reverter esse processo pode lhes custar pessoas, considerações e opiniões. Mas, no final, o que importa é o que você pensa de si.

Aprendi a confiar em mim e naquilo que sou. Muitos vão dizer que não se é boa o bastante, muitos vão questionar as suas escolhas, muitos vão bater no peito e dizer que sabem muito mais sobre você do que você mesma.

Mas, no final, só você sabe sobre tudo isso acerca de si. Só você pode afirmar ou negar coisas, só você sabe.

Aprendi, ou melhor, reforcei o olhar para o que realmente importava na minha vida. Às vezes, o apoio dos nossos ou o reconhecimento por aquilo que fazemos é crucial para seguirmos em frente. Não deve ser. Faça por você e para você. Faça para orgulhar a única pessoa que importa: aquela que os olhos brilham ao encarar o espelho.

Aprendi a soltar a mão quando for necessário. Não faça dos problemas dos outros os seus problemas, você já os têm de sobra! Ajude, socorra, apoie o quanto for possível. Não os absorva, porém.
Não se sobrecarregue.

Aprendi a perdoar. Pessoa vem e vão, porém, o mais importante, pessoas evoluem. Eu evoluí, também. Não soa justo dar aos outros a chance de serem diferentes quando eu também tive a chance de o ser? E, por mais clichê que possa parecer, o perdão pode ser mais libertador para quem o dá.

E, por fim, aprendi que eles estavam, de fato, errados. Podem encher o peito e dizer que você não importa, expor o quão inútil a sua presença se faz, descartar você sem mais nem menos.

Você disse que os seguraria se eles caíssem e, se os outros rissem, poderiam se f*der. Você os tirou dos joelhos e os colocou de pé para, no final, tirassem proveito de você.
Pensaram que poderiam viver sem você.
Coitados, você os colocou ali.
E, hoje, perguntam-se a razão de tudo dar errado.

Ah, e a viagem aconteceu! E como aconteceu! Serviu para lembrar quem eu era, para que vim e para onde quero ir. Revi pessoas, relembrei lugares, conheci outros. Reconfortei-me no abraço e no sorriso de pessoas amadas, chorei ao ter que deixá-las tão cedo. Tive novas experiências, atestei que era não só adulta, como responsável. Madura.

Compreendi que nenhuma amarra disfarçada de cuidado e proteção me eram suficientes.

2020 é um ano par. E, por mais supersticiosa que eu não seja, anos pares costumam ser tranquilos.

Venha, nova década, com um pouco mais de suavidade e promessas verdadeiras, dessa vez.