Resenha #51 — 'A segunda vida de Missy'; Beth Morrey

 


A segunda vida de Missy Beth Morray
Título: A segunda vida de Missy 
Autora: Beth Morrey
Páginas: 304 páginas
Editora: Intrínseca
Sinopse: Em 1959 Millicent Carmichael, a Missy, casou-se com o homem que amava. Passados cinquenta anos, sem ele e com dois filhos criados e distantes, ela está sozinha. Embora se apresse em dizer que considerava seu papel de dona de casa e mãe pouco satisfatório, a verdade é que Missy devotou toda uma vida à família e suprimiu qualquer ideia de carreia em função do sucesso do marido. Agora que ele não está mais a seu lado, que ela brigou com a filha e que o filho se mudou para a Austrália com o neto que Missy tanto ama, ela passa os dias bebendo xerez, evitando as pessoas e vagando pela casa enorme e mal decorada esperando não se sabe o quê. Missy não lembra, mas ela é fabulosa. Um pouco difícil, sim, e cabeça-dura, mas também generosa e espirituosa, um tanto à moda antiga. Sua falta de traquejo para lidar com a vida esvaziada de tudo que antes lhe conferia valor começa a parecer um caminho sem volta, até que, em uma de suas raras saídas à rua, um desmaio em pleno parque faz com que uma desconhecida se aproxime. Esse é o primeiro de uma série de acontecimentos fortuitos - uma invasão, uma cadela adorável sem raça definida precisando de uma lar - que, aos poucos, vão carregando ao redor da mulher solitária um grupo improvável de maravilhosos estranhos. Rodeada por essa comunidade alegre e diversa que encarna as várias formas de amar, Missy encontra uma nova razão para viver. A personagem de quase oitenta anos poderia parecer uma protagonista distante demais para quem é jovem, mas enquanto Missy nos conta a própria história vão se revelando tantas verdades, expectativas e complexidades da vida comum que, em qualquer idade, é impossível não se identificar. Retrato emocionante e reflexivo sobre a vida adulta e o envelhecimento, com direito a uma reviravolta final que dá vontade de de voltar as páginas e buscar todas as pistas. A segunda vida de Missy é uma celebração de como os dias comuns podem ser extraordinários quando se está cercado das pessoas certas. 

A segunda vida de missy intrínsecos

Depois de um hiatus não planejado por aqui - volta e meia isso acontece, então é bom evitar o drama e já ir direto ao ponto, não é mesmo? HAHA - mais uma resenha literária marcando presença aqui no blog. Dessa vez, o livro é parte do Clube de Leitura Intrínsecos, que comecei a fazer parte agora em 2020, em agosto. Se você ainda não conhece o clube e tem algumas dúvidas, caso queira conversar a respeito, é só chamar! :)


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A caixinha 026, de novembro de 2020, trouxe o livro “A segunda vida de Missy”, de Beth Morrey. Confesso que, desde a leitura de “A Troca”, livro da caixinha 024 do mesmo clube, que tenho gostado de livros com personagens idosos e o foco em seus dilemas e anseios. Na minha experiência literária, apesar de já ter lido de tudo, personagens principais com mais de 70 anos eram raros. 


No início do livro, temos a impressão de Missy ser uma pessoa amargurada, chata. Criamos um estereótipo de idosa cabeça-dura, sem amigos, que vive apenas por não estar morta. Ao longo das páginas e capítulos, que não seguem uma ordem cronológica, entendemos sua trajetória, com focos em diversas fases de sua vida, desde a infância até a faculdade, casamento e gravidezes de seus filhos.


A segunda vida de missy intrínsecos


Confesso que essas idas e vindas ao passado me encantaram muito. Entender os contextos de cada época é fundamental para que o leitor entenda as decisões de Missy, mesmo que desaprove o que a personagem escolheu ao longo de sua vida. Com uma vida em segundo plano, tendo sempre a sombra do sucesso do marido e as obrigações de mãe e esposa para ofuscá-la, Missy se vê sem rumo agora que não tem o marido ao seu lado, brigou com a filha mais velha e o filho mais novo se mudou para a Austrália, levando seu precioso neto.


Acompanhar o recomeço de Missy é sensível e tocante. Sair da velha rabugenta que passa dias bebendo xerez em casa para a mulher sorridente, com desejo de viver, traçando metas, conhecendo pessoas é incrível. O livro apresenta, ainda, vários plotwits de enredo que se encaixam bem na história, sem que sejam forçados, apresentando surpresa ao leitor que se acostuma com o descobrir leve, mas ao mesmo tempo profundo, da vida de Missy.


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Todos nós convivemos com pessoas idosas e almejamos chegar a terceira idade com lucidez e saúde, mas sabemos as limitações físicas e emocionais que envolvem a idade. Ler uma personagem principal com 79 anos foi importante para entender nossos avós, nossos pais e a nós mesmos, quando chegarmos lá. Precisamos, antes de tudo, tirar o véu da rabugice e compreender os outros como pessoas: que sentem, que choram, que amam, que recomeçam, sem o conceito pré-estabelecido que envolve a idade. E a leitura de “A segunda vida de Missy” é uma boa maneira de começar a pensar nisso.


E aí, gostou da resenha?

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