#BlackPinupGirls — Introdução;

22:23

A vida da mulher é cercada de “nãos”. E, tratando-se da mulher negra, esses nãos parecem triplicar de uma maneira absurda.


“Você não deve usar essa cor de esmalte porque você é negra”
“Você não deve usar esse cabelo cacheado”
“Você não deve usar esse batom”
“Essa cor de cabelo não combina com a sua cor de pele”
“Esse estilo não combina com você porque você é negra”


Frases como essa ou piores até, rondam a vida da mulher negra desde os seus primeiros anos. Ao que parece, há uma necessidade absurda de fazer-nos não aceitar a nós mesmas. Existe a necessidade de nos impedir de certas coisas, pelo simples fato da carregar na pele uma cor diferente. Existe a necessidade de nos embranquizar, até mesmo nas pequenas coisas.


Na cor da roupa, no alisamento do cabelo, na não-permissão de tingir o cabelo da cor escolhida, na moda adotada.


Mas ainda assim, nessa embranquização que nos é imposta, certas coisas AINDA nos são negadas, por se tratar de coisas exclusivamente brancas e que, para a maioria, não fica bem para uma negra.


E, dentro dessas coisas unicamente brancas, está o estilo PinUp. As “pinups” eram modelos que estamparam pôsteres sensuais com uma estética muito própria nas décadas de 40 e 50. Popularizaram-se na Segunda Guerra Mundial, quando soldados norte-americanos penduravam seus pôsteres nos alojamentos (daí o nome “pin-up”, que significa “prender com tachinhas”, em inglês).¹ Diante da época em que se tornaram auge, as modelos eram caracterizadas por sua pele alva e pelos traços finos, ou seja, era um ramo, ao que parece, totalmente branco.


Porém, cerca de setenta anos após o seu surgimento, o estilo PinUp parece ainda algo intocável no mundo dos brancos. Durante esta semana, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, o blog Just Running Away trará pinup girls de maneira raramente vista. Três meninas toparam revelar seu lado modelo e, junto comigo, seremos as #BlackPinUps. Delineador, batom vermelho, boca  grande e carnuda, cabelos naturalmente cacheados e pele escura mostrarão que este estilo pode e deve ser negro sim, não devendo se restringir apenas a Dorothy Dandridge e Eartha Kitt.


(Para ter acesso aos textos, clique no nome de cada uma abaixo de sua respectiva foto)
 Thiarlley Valadares Lysis Sevilha Priscila Braga Rafaela Lopes

Divido em quatro postagens, o Especial #BlackPinUpgirls trará, além das fotos, relatos de cada uma e o racismo diário que passam nesta sociedade que tenta, inutilmente, afirmar que não é racista.

Este especial pretende, da maneira mais clara possível, mostrar que assim como qualquer outra, a mulher negra pode ser tudo aquilo que ela desejar.

Fiquem ligados!


¹ Quem foram as pinups? http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-foram-as-pin-ups

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