Resenha #29 — 'Desventuras em Série: A Sala dos Répteis #2'; Lemony Snicket

Desventuras Em Série (A Series of Unfortunate Events) entrou na minha através do filme que leva o mesmo nome, lançado em 2004 com nomes de peso como Jim Carrey e Meryl Streep. Com um enredo fantástico, ar meio creep e uma história interessante, imagine a minha surpresa ao descobrir que o filme contemplava apenas três livros de uma série de 13 volumes. Quem me conhece sabe que sou apaixonada por essa série (bem, está no meu perfil ali do lado) e, após o lançamento da série pela Netflix, fiquei pensando em trazê-los para cá. "A Sala dos Répteis" é o segundo livro da série. Vamos de resenha?
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Título: Desventuras Em Série: A Sala dos Répteis (Livro Segundo) 
Autor: Lemony Snicket 
Tradução: Carlos Sussekind 
Páginas: 177 páginas
Editora: Companhia das Letras (Atualmente publicado pela Seguinte)
Caro leitor, se você esperava encontrar uma história tranquila e alegre, lamento dizer que escolheu o livro errado. A história pode parecer animadora no início, quando os meninos Baudelaire passam o tempo em companhia de alguns répteis interessantes e de um tio alto-astral, mas não se deixem enganar. Se você tem uma leve noção da incrível má sorte dos irmãos Baudelaire, já sabe que, no caso deles, até mesmo acontecimentos agradáveis acabam sempre em sofrimento e desgraça. Nas páginas que você tem em mãos, as três crianças sofrem um acidente de carro, veem-se às voltas com uma serpente mortífera, um cheiro pavoroso, um facão enorme e o reaparecimento de uma pessoa que esperavam nunca mais ver. Infelizmente, é meu dever pôr no papel esses trágicos episódios. Mas nada impede que você coloque este livro de volta na estante e procure algo mais leve. Respeitosamente, Lemony Snicket  

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         O início de “A Sala dos Répteis” é, de fato, animador. O livro começa exatamente onde termina “Mau Começo”, com as crianças indo em direção a casa de seu novo tutor, logo após terem se livrado das garras de Conde Olaf. Apesar de ter sido desmascarado pelas crianças em frente a diversas autoridades, o conde fugiu antes que fosse preso, jurando que se apossaria daquela fortuna algum dia. Aliviados, os órfãos Baudelaires se juntam no banco do carro do sr. Poe, aguardando o seu novo lar.

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         O dr. Montgomery Montgomery, ou Tio Monty, é sem dúvidas o tipo de tutor que nós leitores(as) esperamos para as crianças. O cientista especializado em répteis é um homem baixinho, porém, muito acolhedor. Já nos primeiros diálogos demonstra sua aproximação com os pais das crianças e lhes oferece um lar aconchegante, com bolos de coco e várias histórias sobre viagens e descobertas fascinantes. Uma coisa pequena que me incomodou a respeito do filme é a menção de que tio Monty perdeu sua esposa e filhos em um incêndio, mas o livro deixa claro que ele nunca formara uma família.

Bambini é como se diz ‘crianças’ em italiano”, explicou o tio Monty. “Me deu um súbita vontade de falar um pouco de italiano. Estou tão empolgado de ter vocês aqui comigo! Sorte de vocês eu não estar dizendo qualquer bobagem que me venha à cabeça...”        
“O senhor nunca teve filhos?”, perguntou Violet.
        
“É uma pena, mas não”, disse o tio Monty. “Sempre pensei em encontrar uma esposa e começar uma família, mas hoje é uma coisa, amanhã é outra, o projeto foi ficando para depois... Que tal eu mostrar para vocês a Sala dos Répteis?”

         As crianças se sentem acolhidas, principalmente por estarem num ambiente que são úteis: Violet, Klaus e Sunny auxiliam tio Monty em casa e em suas pesquisas utilizando suas habilidades. Também conhecem uma amiga dócil, apesar do nome causar arrepios, sua nomenclatura é completamente errônea – Sunny é a primeira a discordar, pois torna-se uma de suas principais companhias durante as tardes na sala dos répteis. Tio Monty menciona uma viagem para Peru, para agregar suas pesquisas e as crianças se alegram ao saber que o acompanharão nesta aventura.


         Mas, como fomos avisados, a história pode parecer animadora, mas acabaria em sofrimento e desgraça. O novo assistente de tio Monty, de nome Stephano, não é quem ele diz ser e as crianças tentam a todo custo mostrar para o seu tio que, na verdade, aquele era Conde Olaf, antigo tutor e responsável pelos piores dias de suas vidas. Mas, o conde possui sobrancelha única, cabelos desgrenhados e nenhuma barba. Stephano é careca, tem duas sobrancelhas e uma barba longa.

         Onde está a tatuagem de olho em seu tornozelo? Como as crianças irão provar aquele homem é um impostor? Por que a Víbora Incrivelmente Mortífera está sendo acusada de algo que ela não fez?


         A leitura é curta como anterior e, em alguns momentos, desesperadora. Fiquei aterrorizada com o uso do facão por Stephano para intimidar Violet durante as refeições e ansiosa com as tentativas dos órfãos em serem ouvidos. Os mistérios e as perguntas só crescem, enquanto as respostas se tornam cada vez menores. A construção dos personagens se torna mais sólida e complexa, fazendo-nos ansiar pela leitura seguinte a fim de descobrir:

         O que acontecerá com os órfãos Baudelaires?      

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