Resenha #30 — 'Desventuras em Série: O lago das sanguessugas #3'; Lemony Snicket

Desventuras Em Série (A Series of Unfortunate Events) entrou na minha através do filme que leva o mesmo nome, lançado em 2004 com nomes de peso como Jim Carrey e Meryl Streep. Com um enredo fantástico, ar meio creep e uma história interessante, imagine a minha surpresa ao descobrir que o filme contemplava apenas três livros de uma série de 13 volumes. Quem me conhece sabe que sou apaixonada por essa série (bem, está no meu perfil ali do lado) e, após o lançamento da série pela Netflix, fiquei pensando em trazê-los para cá. "O lago das sanguessugas" é o terceiro livro da série e o último apresentado no filme (2004). Vamos de resenha?
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Título: Desventuras Em Série: O lago das Sanguessugas (Livro Terceiro) 
Autor: Lemony Snicket 
Tradução: Carlos Sussekind 
Páginas: 184 páginas
Editora: Companhia das Letras (Atualmente publicado pela Seguinte)
Sinopse:Caro leitor, Se você ainda não leu nada sobre os órfãos Baudelaires, é preciso que antes mesmo de começar a primeira frase deste livro fique sabendo o seguinte: Violet, Klaus e Sunny são legais e superinteligentes, mas a vida deles, lamento dizer, está repleta de má sorte e infelicidade. Todas as histórias sobre essas três crianças são uma tristeza e uma verdadeira desgraça, e a que você tem nas mãos talvez seja a pior de todas. Se você não tem estômago para engolir uma história que inclui um furacão, uma invenção para sinalizar pedidos de socorro, sanguessugas famintas, caldo frio de pepinos, um horrendo vilão e uma boneca chamada Perfeita Fortuna, é provável que se desespere ao ler este livro. Continuarei a registrar essas histórias trágicas, pois é o que sei fazer. Cabe a você, no entanto, decidir se verdadeiramente será capaz de suportar esta história de horrores. Atenciosamente, Lemony Snicket  


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“O lago das sanguessugas” começa da mesma maneira que o livro anterior: os órfãos Baudelaire ansiosos pelo futuro que os espera. Mais uma vez, nunca ouviram falar dessa Tia Josephine e nem sabia qual o parentesco dela com os seus pais. A figura do sr. Poe e sua irritante tosse volta a aparecer, agora direcionando as crianças para o Cais de Dâmocles, lugar onde sua nova tutora vive.


O filme de 2004 apresenta a maravilhosa Meryl Streep como Tia Josephine e, apesar de uma atuação INCRÍVEL (como sempre), senti que a personagem foi pouco explorada dentro de suas peculiaridades. A série da netflix, por sua vez, apresenta Alfre Woodard da tutora deste livro que entregou uma atuação do mesmo nível que a de Meryl. Entretanto, tentando ao máximo segurar o spoiler, o desfecho da personagem do filme foi bem mais fiel que a da série.

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Inseridos nesse novo ambiente, numa cidade costeira que tem o Lago Lagrimoso como uma de suas principais fontes de renda e locomoção, o lugar é frio e cinzento, como a vida dos órfãos nos últimos meses. De início, ao conhecerem sua tutora, as crianças se deparam com uma mulher ridiculamente medrosa de tudo e de todos, além de ter uma obsessão por gramática. Tia Josephine, também, vive sozinha a beira do Lago Lacrimoso, apesar de ter medo do lugar.


Os Baudelaire deram uma olhada. De início, os três garotos viram apenas algo semelhante a uma caixinha quadrada que tinha uma porta branca com a pintura descascando e que parecia ser um pouco maior do que o táxi que os levara até ali. Mas quando saíram do carro e se aproximaram da construção, viram que a caixinha quadrada era a única parte da casa situada no cume do morro. O resto dela – uma grande pilha de caixas quadradas grudadas umas nas outras como cubos de gelo – pendia das encostas, prendendo-se no morro por estacas metálicas que eram como patas de aranha. Ao olhar para seu novo lar, os três órfãos tiveram a impressão de que a casa inteira se agarrava ao morro como se ele fosse uma tábua de salvação. [...] Os órfãos não conseguiram deixar de pensar como uma mulher que tinha tanto medo do Lago Lacrimoso suportava viver numa casa que parecia prestes a se lançar em suas profundezas.


As coisas pareciam caminhar bem – dentro das limitações de tia Josephine, é claro – mas as crianças sentiam que poderiam chamar aquela casa de lar. E, quando Violet, Klaus e Sunny relaxaram, quando os órfãos acreditaram que  talvez aquele fosse o momento em que estariam livres para descansar e deixar suas aflições de lado, ele apareceu. Usando um gorro azul de marinheiro e uma venda preta cobrindo o olho esquerdo. As crianças se apressaram para dizer “este é o conde Olaf”, agoniados e desesperados ao se depararem com o pior de seus pesadelos, mas, como era de se esperar, não foram ouvidos.

Aquele homem, para os adultos, era o simpático capitão Sham.

Uma das coisas mais interessantes que esse livro apresenta é como a linha entre o medo racional e o irracional é bem tênue. É apresentado, também, como as crianças são ridicularizadas na grande maioria das vezes – neste livro com mais ênfase que os anteriores – unicamente por serem crianças. Inúmeros foram os momentos que os órfãos Baudelaire tentam contar a verdade para os adultos ao seu redor e são ignoradas.

         Como o conde Olaf sempre consegue nos achar? E onde está a sua perna? Como ele consegue se equilibrar na perna de pau? Quem era Belo e o que ele escondia?

A leitura continua sendo curta, com menos de 200 páginas, e nós do lado de cá continuamos a nos perguntar “Quem são essas pessoas? Por que Olaf insiste em sequestrar os órfãos Baudelaires?”, porém, tais perguntas não serão respondidas... ainda.

Ou, talvez, nunca sejam.  

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